O que significa o deslocamento do dispositivo intrauterino?
O deslocamento do dispositivo intrauterino (DIU), popularmente conhecido como "aro contraceptivo" ou "espiral", ocorre quando o aparelho se move de sua posição ideal no fundo do útero. Esse deslocamento pode ser parcial — quando o DIU ainda permanece dentro da cavidade uterina, mas não está bem fixado no fundo — ou completo — quando o dispositivo migra para fora da cavidade uterina, podendo atingir a parede uterina, a cavidade abdominal ou, raramente, órgãos adjacentes.
As causas mais comuns incluem contrações uterinas intensas (como as que ocorrem durante a menstruação ou após o parto), manipulação uterina recente (por exemplo, curetagem ou abortamento), alterações anatômicas uterinas (como miomas submucosos ou útero em anteversão acentuada), inserção inadequada no momento da colocação ou fatores individuais relacionados à motilidade uterina e espessura da parede uterina. Mulheres com histórico de expulsões anteriores ou com útero muito grande ou pequeno também apresentam risco aumentado.
Os sinais e sintomas variam conforme o grau de deslocamento: podem ser ausentes (caso assintomático detectado apenas em exame de imagem), ou incluir sangramento uterino anormal, dor pélvica crônica ou intermitente, dismenorreia acentuada, relações sexuais dolorosas (dispareunia) ou até mesmo falha contraceptiva — manifestada por gravidez intrauterina ou ectópica. Em casos raros de perfuração uterina, pode haver dor aguda, sinais de irritação peritoneal ou complicações abdominais graves.
O diagnóstico é feito inicialmente pela avaliação clínica e confirmação por métodos de imagem: ultrassonografia transvaginal é o exame de escolha, pois permite avaliar com precisão a posição do DIU, sua integridade e relação com as estruturas uterinas. Em situações duvidosas, pode-se recorrer à radiografia simples (para DIUs radiopacos) ou à histerossalpingografia. A ressonância magnética é reservada para casos complexos.
O manejo depende da extensão do deslocamento, dos sintomas e da intenção reprodutiva da paciente. Se o DIU estiver parcialmente deslocado e a paciente apresentar sintomas ou risco de falha contraceptiva, recomenda-se sua remoção e, se desejado, reposicionamento após avaliação adequada. Em caso de deslocamento completo ou perfuração, a retirada é obrigatória — podendo ser realizada via histeroscopia, laparoscopia ou, excepcionalmente, laparotomia. Após a remoção, deve-se discutir alternativas contraceptivas individualizadas e investigar possíveis fatores predisponentes para evitar recorrência.