De onde vem o sangue da menstruação?
O sangue menstrual origina-se do endométrio, que é a camada mucosa que reveste a cavidade uterina. Durante o ciclo menstrual, sob influência dos hormônios estrogênio e progesterona, o endométrio sofre um processo de proliferação e secretório, tornando-se espesso e vascularizado para preparar o útero para uma possível implantação de um óvulo fecundado. Caso não ocorra a fecundação e a implantação, os níveis de progesterona caem abruptamente, desencadeando a descamação parcial dessa camada funcional do endométrio. O sangue observado durante a menstruação corresponde, portanto, ao extravasamento sanguíneo proveniente da ruptura dos vasos capilares e pequenos vasos espiralados localizados na camada funcional endometrial — não é sangue venoso estagnado nem sangue proveniente de outras estruturas como ovários ou trompas.
É importante ressaltar que o fluxo menstrual não inclui apenas sangue: ele é composto também por tecido endometrial descamado, muco cervical, secreções glandulares e, ocasionalmente, pequenos coágulos — especialmente em dias de maior fluxo. A quantidade média de sangue perdido por ciclo varia entre 30 e 80 mL, sendo considerada anormal quando superior a 80 mL (menorragia), o que pode indicar condições como miomas uterinos, pólipos endometriais, distúrbios de coagulação ou síndrome das mamas poliquísticas.
Caso haja alterações significativas no padrão menstrual — como sangramento excessivo, prolongado, intermenstrual ou pós-coital — recomenda-se avaliação ginecológica detalhada, que pode incluir ultrassonografia transvaginal, exames hormonais ou histeroscopia, conforme indicado clinicamente.