Quais exames devem ser realizados antes da histerectomia?
Antes de uma histerectomia — procedimento cirúrgico que envolve a remoção parcial ou total do útero — é fundamental realizar uma avaliação pré-operatória minuciosa. Essa etapa garante que a indicação
Antes de uma histerectomia — procedimento cirúrgico que envolve a remoção parcial ou total do útero — é fundamental realizar uma avaliação pré-operatória minuciosa. Essa etapa garante que a indicação cirúrgica seja adequada, identifica possíveis riscos e orienta a escolha da técnica mais segura e eficaz para cada paciente.
O exame ginecológico completo é o primeiro passo: inclui anamnese detalhada (com foco em sintomas como sangramento uterino anormal, dor pélvica crônica, prolapsos ou suspeita de malignidade), exame físico com inspeção e palpação bimanual, além de toque vaginal e retal para avaliar a mobilidade uterina, presença de massas ou sinais de infiltração.
A ultrassonografia transvaginal é essencial para caracterizar lesões uterinas — como miomas, adenomioses ou pólipos endometriais — e avaliar a morfologia uterina, espessura endometrial e aspecto dos anexos. Em casos suspeitos de malignidade ou quando há achados complexos, pode ser complementada por ressonância magnética pélvica, que oferece maior resolução tecidual e auxilia na estadiamento pré-cirúrgico.
Exames laboratoriais obrigatórios incluem hemograma completo (para detectar anemia, especialmente em pacientes com sangramento crônico), tipagem sanguínea e teste de compatibilidade, coagulograma básico (TP, TTPA e fibrinogênio), função renal e hepática, glicemia de jejum e sorologias para HIV, hepatites B e C, e sífilis — conforme protocolos institucionais e diretrizes da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO).
Em mulheres com idade ≥ 45 anos ou com fatores de risco cardiovascular, recomenda-se avaliação cardiorrespiratória pré-anestésica, que pode incluir eletrocardiograma, ecocardiograma ou teste ergométrico, conforme indicado pelo anestesiologista. Pacientes com comorbidades como diabetes, hipertensão ou obesidade mórbida devem ter seu controle otimizado antes da cirurgia, com acompanhamento multidisciplinar quando necessário.
Por fim, é indispensável a realização de citologia oncótica (Papanicolau) e, se indicado, biópsia endometrial ou histeroscopia diagnóstica — sobretudo em casos de sangramento uterino anormal sem causa aparente ou em mulheres pós-menopausa. Esses exames excluem ou confirmam neoplasias endometriais ou cervicais, evitando intervenções inadequadas e garantindo abordagem oncológica adequada, caso necessário.