Tratamento da perfuração uterina
A perfuração uterina é uma complicação rara, porém potencialmente grave, que pode ocorrer durante procedimentos ginecológicos invasivos — como curetagem, inserção de dispositivo intrauterino (DIU), hi
A perfuração uterina é uma complicação rara, porém potencialmente grave, que pode ocorrer durante procedimentos ginecológicos invasivos — como curetagem, inserção de dispositivo intrauterino (DIU), histeroscopia diagnóstica ou cirúrgica, e abortamento medicamentoso ou instrumental. Trata-se da ruptura acidental da parede do útero, podendo envolver o miométrio e, em casos mais severos, atingir estruturas adjacentes, como intestino, bexiga ou vasos sanguíneos.
O diagnóstico requer alta suspeição clínica, especialmente diante de sinais como dor abdominal intensa e súbita, sangramento vaginal anormal, queda da pressão arterial, taquicardia ou sinais de irritação peritoneal. A confirmação é feita por meio de exames complementares: ultrassonografia transvaginal com avaliação dinâmica, histerossalpingografia ou, quando indicado, laparoscopia diagnóstica — este último método também permite a avaliação direta de lesões associadas em órgãos vizinhos.
O manejo depende da gravidade da lesão, da estabilidade hemodinâmica da paciente e da presença ou ausência de complicações sistêmicas. Em casos leves — perfurações pequenas, sem sangramento significativo, sem extravasamento de conteúdo uterino para a cavidade peritoneal e com boa resposta clínica — a conduta conservadora é preferível: repouso, monitorização rigorosa dos sinais vitais, exames laboratoriais seriados (hemoglobina, leucograma, lactato) e antibióticos profiláticos para prevenir infecção.
Quando há instabilidade hemodinâmica, sangramento intraperitoneal, evisceração uterina ou suspeita de lesão intestinal ou vesical, a intervenção cirúrgica torna-se imperativa. A laparoscopia é o padrão-ouro, permitindo reparação primária do útero, controle de hemorragia, lavagem abdominal e avaliação de outros órgãos. Em situações de grande extensão lesional ou quando há contraindicação técnica à abordagem minimamente invasiva, a laparotomia pode ser necessária.
A prevenção é fundamental: deve incluir treinamento adequado dos profissionais, uso de ultrassom guiado durante procedimentos, avaliação prévia da anatomia uterina (especialmente em úteros antevertidos, retrovertidos ou com alterações morfológicas), e escolha criteriosa do tipo e tamanho do DIU conforme as características individuais da paciente. A vigilância pós-procedimento e o esclarecimento prévio dos riscos aos pacientes também fazem parte de uma prática segura e ética.