Secura vaginal: causas e soluções eficazes
A secura vaginal é um sintoma comum, especialmente em mulheres na perimenopausa, menopausa ou após tratamentos oncológicos, mas também pode ocorrer em outras fases da vida — como no pós-parto, durante
A secura vaginal é um sintoma comum, especialmente em mulheres na perimenopausa, menopausa ou após tratamentos oncológicos, mas também pode ocorrer em outras fases da vida — como no pós-parto, durante amamentação ou em decorrência do uso de certos medicamentos (por exemplo, anticoncepcionais orais com baixo teor de estrogênio, antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina ou antialérgicos). A causa mais frequente está relacionada à diminuição dos níveis de estrogênio, que reduz a produção de muco cervical e a vascularização da mucosa vaginal, resultando em atrofia genitourinária — condição conhecida clinicamente como síndrome genitourinária da menopausa (SGM).
Outros fatores contribuintes incluem desidratação sistêmica, higiene íntima inadequada (uso excessivo de sabonetes agressivos ou duchas vaginais), estresse crônico, doenças autoimunes como o lúpus eritematoso sistêmico ou a síndrome de Sjögren, e alterações no microbioma vaginal, como a vaginose bacteriana ou infecções por fungos recorrentes.
O diagnóstico deve ser clínico, baseado na anamnese detalhada e exame ginecológico cuidadoso, que pode revelar mucosa pálida, fina, com sinais de fragilidade ou petéquias. Em casos duvidosos ou associados a sangramento, secreção atípica ou dor intensa, exames complementares — como pH vaginal, cultura ou teste de DNA para patógenos — podem ser indicados para afastar infecções ou neoplasias.
O manejo depende da causa subjacente. Para formas relacionadas à deficiência estrogênica, opções eficazes incluem terapia local com estrógeno tópico (cremes, anéis ou comprimidos vaginais), que melhora significativamente a espessura epitelial e a lubrificação sem exposição sistêmica relevante. Alternativas não hormonais, como prasterona (DHEA vaginal) ou lubrificantes à base de água ou silicone, são recomendadas para mulheres com contraindicações ao estrogênio. Em casos refratários, novos agentes como o ospemifeno — um modulador seletivo do receptor estrogênico oral — têm demonstrado benefício em ensaios clínicos controlados.
Medidas não farmacológicas essenciais incluem hidratação adequada, evitação de produtos irritantes na região genital, uso de roupas íntimas de algodão e prática regular de atividade sexual ou estimulação genital — pois promovem a perfusão sanguínea local e a manutenção da elasticidade tecidual. Mulheres com sintomas persistentes devem ser encaminhadas a especialistas em saúde da mulher ou em medicina sexual, uma vez que a secura vaginal não é apenas um incômodo: pode impactar significativamente a qualidade de vida, a intimidade e a saúde mental.