É necessário fazer alguma preparação antes de uma interrupção voluntária da gravidez?
Antes de uma interrupção voluntária da gravidez (IVG), também conhecida como aborto medicamentoso ou cirúrgico, é fundamental realizar uma avaliação médica prévia rigorosa. O primeiro passo é confirmar a gestação com exame de beta-hCG sérico ou urinário e, quando possível, com ultrassonografia transvaginal para determinar a idade gestacional, localização do saco gestacional (excluindo gravidez ectópica) e viabilidade fetal. É indispensável avaliar o estado geral de saúde da paciente, incluindo anamnese detalhada (antecedentes obstétricos, alergias, doenças crônicas como hipertensão, diabetes ou distúrbios da coagulação, uso de medicamentos anticoagulantes ou anti-inflamatórios não esteroidais) e exame físico básico.
Exames complementares são frequentemente solicitados: hemograma completo (para identificar anemia ou alterações na contagem de plaquetas), tipagem sanguínea e fator Rh (fundamental para decidir se será necessário imunoglobulina anti-Rh após o procedimento), sorologias para HIV, sífilis, hepatites B e C — não apenas por razões éticas e legais, mas também para orientar o manejo clínico seguro. Em alguns casos, conforme protocolos institucionais e características individuais, pode ser indicada avaliação cardiorrespiratória ou consulta com especialista (ex.: hematologista em pacientes com trombofilias).
Aconselhamento pré-procedimento é obrigatório e deve abordar de forma clara e empática os métodos disponíveis (medicamentoso com mifepristona + misoprostol ou procedimento instrumental), seus riscos, benefícios, eficácia, possíveis complicações (como sangramento intenso, infecção, retenção de produtos da concepção) e alternativas, incluindo continuidade da gestação com acompanhamento pré-natal. A paciente deve assinar um termo de consentimento livre e esclarecido. É igualmente importante orientar sobre cuidados pós-procedimento, sinais de alerta (febre > 38 °C, dor abdominal intensa persistente, sangramento abundante com coágulos maiores que uma moeda de €2, mau cheiro vaginal) e retorno programado para confirmação de esvaziamento uterino — geralmente com teste de beta-hCG ou nova ultrassonografia.