Com o envelhecimento acelerado da população mundial, a hipertrofia prostática benigna (HPB) tornou-se uma condição cada vez mais prevalente entre homens idosos. Estudos epidemiológicos indicam que cerca de 50% dos homens com aproximadamente 60 anos já apresentam alterações prostáticas significativas, e essa taxa ultrapassa os 80% na faixa etária acima dos 80 anos.
Diante desse cenário, novas opções terapêuticas têm ganhado destaque clínico e atenção do público. Entre elas, destaca-se o comprimido combinado de finasterida e tadalafila — comercializado no Brasil como *Aitinglie* — um medicamento inovador aprovado pela ANVISA para o tratamento da HPB. Trata-se do primeiro fármaco combinado registrado no país especificamente para essa indicação, preenchendo uma lacuna importante na abordagem farmacológica da doença.
O diferencial terapêutico desse medicamento reside em sua dupla ação sinérgica sobre mecanismos patofisiológicos distintos da HPB. Cada comprimido contém 5 mg de finasterida — um inibidor seletivo da 5-alfa-redutase — e 5 mg de tadalafila — um inibidor seletivo da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5). Essa combinação permite uma intervenção simultânea em dois eixos fundamentais: o crescimento glandular progressivo e os distúrbios funcionais do trato urinário inferior.
A finasterida atua na raiz da doença ao bloquear a conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), reduzindo assim a estimulação androgênica sobre o estroma e o epitélio prostático. Com isso, promove a regressão volumétrica da próstata ao longo de meses, diminuindo a obstrução mecânica uretroprostática. Já a tadalafila exerce efeito rápido sobre a musculatura lisa do trato urinário: ao aumentar os níveis intracelulares de GMP cíclico, induz relaxamento do músculo detrusor, da cápsula prostática e do esfíncter uretral interno, aliviando sintomas irritativos e obstrutivos já nas primeiras semanas de uso.
Essa abordagem dual — “tratar a causa e aliviar os sintomas” — demonstrou superioridade clínica em ensaios comparativos. Dados de estudos clínicos mostram que o regime combinado proporciona melhora mais rápida e mais pronunciada nos escores de sintomas urinários, conforme avaliado pela Escala Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS), quando comparado à monoterapia com finasterida isoladamente. Além disso, a tadalafila pode atenuar efeitos adversos relacionados à função sexual frequentemente associados ao uso crônico de inibidores da 5-alfa-redutase, contribuindo para melhor adesão terapêutica.
Outro benefício prático é a simplificação do esquema posológico: apenas uma dose diária, o que favorece significativamente a adesão ao tratamento — fator crítico na gestão de doenças crônicas como a HPB — e reduz riscos de erros medicamentosos.
É fundamental ressaltar que a farmacoterapia deve ser complementada por medidas não farmacológicas baseadas em evidências. Recomenda-se evitar sedentarismo prolongado, retenção urinária voluntária e atividades que exercem pressão direta sobre a região pélvica (como ciclismo intenso). À noite, recomenda-se limitar a ingestão hídrica, especialmente nas duas horas anteriores ao sono, para reduzir a noctúria. A dieta deve priorizar moderação no consumo de álcool e tabaco, além da restrição de alimentos picantes e bebidas estimulantes (café, chás concentrados), que podem exacerbar a congestão prostática. Exercícios físicos moderados — como caminhada vigorosa ou tai chi — ajudam na regulação do tônus autonômico e na manutenção da saúde urológica. Também são essenciais a proteção térmica do abdome inferior e a prevenção da constipação intestinal, cuja pressão intra-abdominal elevada agrava a obstrução urinária.
O acompanhamento periódico com urologista permanece indispensável: exames como ultrassonografia renal e vesical com medida do volume residual pós-miccional permitem monitorar a evolução da doença e ajustar o tratamento conforme necessário. Embora o comprimido combinado de finasterida e tadalafila represente um avanço terapêutico relevante — oferecendo alívio sintomático precoce e controle estrutural a médio prazo — sua prescrição deve sempre ocorrer sob orientação médica individualizada, considerando comorbidades, perfil de risco cardiovascular e histórico urológico do paciente.