Quais são os sintomas da síndrome de aderências cervicais quando a menstruação não consegue sair?
A síndrome de aderências cervicais, também conhecida como síndrome de Asherman quando envolve o corpo uterino, ocorre quando há formação de tecido cicatricial (aderências) no canal cervical, impedindo ou dificultando significativamente a saída do fluxo menstrual. Quando o sangue menstrual não consegue escoar adequadamente, surgem sintomas característicos: amenorreia secundária (ausência total de menstruação após ciclos previamente regulares), oligomenorreia (menstruações escassas e breves) ou dismenorreia intensa (dor pélvica progressiva antes ou durante o período esperado da menstruação). Muitas pacientes relatam cólicas abdominais ou lombares contínuas, sensação de pressão pélvica ou mesmo dor aguda em cólica, especialmente nos dias em que a menstruação deveria ocorrer — isso ocorre porque o sangue fica retido no útero (hematometra), causando distensão miometrial. Em casos mais graves, pode haver febre, secreção vaginal purulenta ou sinais de infecção intrauterina (endometrite), particularmente se houver estase sanguínea prolongada. É fundamental investigar essa condição com ultrassonografia transvaginal e, sempre que suspeitada, confirmar o diagnóstico por histeroscopia diagnóstica, que permite visualizar diretamente as aderências e avaliar sua extensão e localização.
As causas mais comuns incluem procedimentos cirúrgicos uterinos, especialmente curetagens pós-aborto ou pós-parto, mas também podem estar associadas a infecções endometriais graves, radioterapia pélvica ou processos inflamatórios crônicos. O tratamento é predominantemente cirúrgico — realização de histeroscopia cirúrgica para ressecção cuidadosa das aderências — seguido de medidas profiláticas, como uso temporário de dispositivo intrauterino (DIU) ou balão intrauterino, além de terapia hormonal com estrógeno para estimular a regeneração endometrial e prevenir recidivas. A avaliação por especialista em reprodução humana ou em patologia ginecológica é essencial, pois essa condição está fortemente associada à infertilidade e ao risco aumentado de complicações gestacionais, como abortamento espontâneo, placenta prévia ou crescimento intrauterino restrito.