Como aliviar as cólicas menstruais em mulheres
A dismenorreia, ou dor menstrual, é uma queixa extremamente comum entre mulheres em idade fértil, afetando até 90% delas em algum momento da vida. Embora muitas vezes considerada “normal”, dores inten
A dismenorreia, ou dor menstrual, é uma queixa extremamente comum entre mulheres em idade fértil, afetando até 90% delas em algum momento da vida. Embora muitas vezes considerada “normal”, dores intensas ou incapacitantes não devem ser ignoradas, pois podem indicar condições subjacentes como endometriose, miomas uterinos, adenomiose ou síndrome das trompas de Falópio obstruídas.
As estratégias para alívio da dismenorreia variam conforme a causa e a gravidade dos sintomas. Em casos leves a moderados, medidas não farmacológicas são frequentemente eficazes: aplicação local de calor na região pélvica (como bolsas térmicas), exercícios físicos regulares — especialmente atividades aeróbicas e alongamento — e técnicas de redução de estresse, como ioga, meditação guiada ou respiração diafragmática profunda. Estudos demonstram que o calor promove vasodilatação e relaxamento da musculatura uterina, enquanto o exercício estimula a liberação de endorfinas, atuando como analgésicos naturais.
No âmbito farmacológico, os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno ou naproxeno, são a primeira linha terapêutica. Eles inibem a síntese de prostaglandinas — substâncias que desencadeiam contrações uterinas excessivas e inflamação. É fundamental iniciá-los 1–2 dias antes do início previsto da menstruação para maior eficácia profilática. Para mulheres com dismenorreia secundária ou sintomas refratários, opções hormonais — como contraceptivos orais combinados, adesivos transdérmicos ou dispositivos intrauterinos liberadores de levonorgestrel — podem reduzir significativamente o fluxo menstrual e a produção de prostaglandinas.
É essencial que toda mulher com dor menstrual persistente, progressiva ou associada a outros sinais — como sangramento intermenstrual, dor pélvica crônica, dispareunia (dor durante a relação sexual) ou infertilidade — procure avaliação ginecológica especializada. Exames complementares, como ultrassonografia transvaginal com Doppler ou, em casos selecionados, videolaparoscopia diagnóstica, permitem identificar causas estruturais e orientar tratamento personalizado.
O manejo adequado da dismenorreia vai além do alívio sintomático: representa um passo fundamental na promoção da saúde reprodutiva, qualidade de vida e empoderamento clínico da mulher.