O nariz sangra sem motivo aparente; como tratar?
Epistaxe espontânea — ou seja, sangramento nasal sem causa aparente, trauma ou fator desencadeante óbvio — é relativamente comum, especialmente em adultos jovens e idosos. Embora muitas vezes seja benigna, exige avaliação cuidadosa para descartar causas subjacentes importantes. As causas mais frequentes incluem ressecamento da mucosa nasal (particularmente em ambientes com baixa umidade ou durante o inverno), manipulação repetida do nariz (como esfregar ou limpar com força), hipertensão arterial não controlada, uso crônico de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou anticoagulantes, e telangiectasias nasais (como na síndrome de Rendu-Osler-Weber). Em idosos, também deve-se considerar alterações vasculares degenerativas ou neoplasias nasais raras.
O manejo inicial é conservador e focado no controle agudo: sentar-se com o tronco levemente inclinado para frente, comprimir suavemente as partes moles do nariz (ala nasal) por 10 a 15 minutos contínuos, evitando inclinar a cabeça para trás — o que pode favorecer a aspiração ou deglutição de sangue. Após a hemostasia, recomenda-se evitar esforço físico, espirro, limpeza nasal vigorosa e exposição a ar seco nas próximas 24–48 horas. A aplicação tópica de pomada à base de vaselina ou gel salino nasal duas a três vezes ao dia ajuda a manter a umidade da mucosa e prevenir recorrências.
Caso os episódios sejam frequentes (mais de duas vezes por semana), prolongados (>20 minutos), associados a sinais de alerta — como sangramento bilateral, anemia, petéquias, equimoses, epistaxe noturna intensa ou história familiar de distúrbios hemorrágicos — é indispensável investigação complementar. Isso pode incluir exame endoscópico nasal para identificar o ponto de sangramento (geralmente na região do plexo de Kiesselbach), dosagem de plaquetas, tempo de protrombina (TP), tempo parcial de tromboplastina (TPT) e, quando indicado, avaliação hematológica especializada ou imagem por tomografia computadorizada de seios da face.
O tratamento definitivo depende da causa identificada: cauterização química (com nitrato de prata) ou elétrica do vaso sangrante, tamponamento nasal anterior ou posterior, ajuste medicamentoso (ex.: controle rigoroso da pressão arterial ou revisão de anticoagulantes), ou, em casos raros, intervenção cirúrgica (ligadura arterial ou embolização). Recomenda-se sempre acompanhamento com otorrinolaringologista para diagnóstico preciso e plano terapêutico individualizado.