Menina de 13 anos com epistaxe recorrente: o que pode estar causando?
Uma menina de 13 anos que apresenta epistaxe recorrente — ou seja, sangramentos nasais frequentes — requer avaliação médica cuidadosa, pois, embora muitos casos sejam benignos e relacionados a fatores
Uma menina de 13 anos que apresenta epistaxe recorrente — ou seja, sangramentos nasais frequentes — requer avaliação médica cuidadosa, pois, embora muitos casos sejam benignos e relacionados a fatores locais, alguns podem sinalizar condições clínicas mais relevantes.
O sangramento nasal nessa faixa etária é relativamente comum e, na maioria das vezes, origina-se da região anterior do septo nasal, especialmente da área de Kiesselbach, rica em anastomoses vasculares superficiais. Fatores como ressecamento ambiental, manipulação nasal (como esfregar ou limpar com força), alergias respiratórias crônicas, infecções virais de vias aéreas superiores ou uso prolongado de descongestionantes tópicos podem desencadear ou agravar esses episódios.
No entanto, é fundamental investigar causas menos frequentes, mas clinicamente importantes: distúrbios da coagulação (como trombocitopenia, deficiência de fator VIII ou doença de von Willebrand), uso inadvertido de medicamentos antiplaquetários ou anticoagulantes, hipertensão arterial secundária (embora rara em adolescentes saudáveis), ou, excepcionalmente, lesões neoplásicas nasais ou sinusais. Também merecem atenção sinais associados, como petéquias, equimoses espontâneas, sangramento gengival frequente, menometrorragia ou história familiar de distúrbios hemorrágicos.
A abordagem diagnóstica deve incluir anamnese detalhada (frequência, duração, volume, lateralidade do sangramento, fatores desencadeantes e histórico familiar), exame físico otolaringológico com inspeção nasal anterior e, quando indicado, endoscopia nasal. Exames complementares — como contagem completa de sangue, tempo de protrombina (TP), tempo parcial de tromboplastina (TPT) e, eventualmente, dosagem de fator von Willebrand — são solicitados com base na suspeita clínica.
O manejo inicial é geralmente conservador: compressão digital bilateral da asa nasal por 10 a 15 minutos, com a cabeça levemente inclinada para frente; hidratação local com pomadas à base de vaselina ou óleo mineral; e controle ambiental (umidificação do ar). Em casos refratários, pode ser necessário cauterização química ou elétrica da área de sangramento sob visão direta. A orientação sobre higiene nasal adequada e evitação de traumatismos locais é parte essencial da prevenção.
Recomenda-se consulta com otorrinolaringologista e, conforme os achados, possível encaminhamento para hematologia pediátrica. A persistência de epistaxe após 3–4 episódios no período de um mês justifica investigação mais aprofundada, mesmo na ausência de outros sinais sistêmicos.