Por que há crostas sanguíneas constantes no nariz?
É bastante comum observar crostas sanguíneas no interior das narinas, especialmente em climas secos, durante o inverno ou após resfriados e infecções virais das vias respiratórias superiores. Essas cr
É bastante comum observar crostas sanguíneas no interior das narinas, especialmente em climas secos, durante o inverno ou após resfriados e infecções virais das vias respiratórias superiores. Essas crostas — tecnicamente denominadas “crostas hemáticas” — resultam da ruptura de pequenos vasos capilares localizados na região anterior do septo nasal, conhecida como área de Kiesselbach. Trata-se de uma zona altamente vascularizada e superficial, particularmente suscetível a traumas mecânicos (como esfregar ou assoar o nariz com força), desidratação da mucosa ou inflamação crônica.
Fatores predisponentes incluem exposição prolongada ao ar aquecido e seco (como em ambientes com ar-condicionado ou aquecimento central), rinite alérgica, uso crônico de descongestionantes tópicos (que causam rebound congestion e atrofia da mucosa), tabagismo, deficiências nutricionais — especialmente de vitamina C, vitamina K ou ferro — e, em casos menos frequentes, distúrbios de coagulação ou doenças sistêmicas como a rinoscleroma ou a granulomatose com poliangiite.
A presença isolada de crostas sanguíneas, sem outros sinais associados — como epistaxe recorrente, obstrução nasal persistente, secreção purulenta unilateral, dor facial ou perda de olfato — geralmente indica um processo benigno e autolimitado. No entanto, deve-se investigar com atenção quando há sangramento nasal frequente, especialmente em adultos mais velhos, ou quando as crostas são acompanhadas de ulcerações, necrose tecidual ou linfonodomegalia cervical, pois podem sinalizar condições mais graves, incluindo neoplasias nasossinusal.
O manejo inicial envolve medidas conservadoras: hidratação nasal com soro fisiológico isotônico em gotas ou spray, uso de umidificadores ambientais, evitação de manipulação digital intranasal e suspensão de descongestionantes tópicos por mais de três a cinco dias consecutivos. Em casos refratários, pode ser indicada avaliação otolaringológica com rinofibroscopia para avaliação detalhada da mucosa e exclusão de lesões estruturais ou patológicas.