O que fazer quando os dentes ficam móveis?
Quando um dente começa a ficar móvel, é um sinal clínico que não deve ser ignorado. A mobilidade dentária pode variar de leve (grau I, com movimento horizontal inferior a 1 mm) a severa (grau III, com
Quando um dente começa a ficar móvel, é um sinal clínico que não deve ser ignorado. A mobilidade dentária pode variar de leve (grau I, com movimento horizontal inferior a 1 mm) a severa (grau III, com movimento em todas as direções e deslocamento vertical), conforme classificação da American Academy of Periodontology. As causas mais frequentes incluem periodontite avançada — responsável por até 90% dos casos —, traumas oclusais crônicos, lesões periapicais, tumores odontogênicos ou sistêmicos, e, em pacientes idosos, atrofia óssea alveolar associada ao envelhecimento ou à perda prolongada de dentes adjacentes.
O diagnóstico exige avaliação minuciosa: exame clínico com sondagem periodontal, radiografias periapicais ou tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) para avaliar a integridade do osso alveolar e das estruturas de suporte, além de testes de vitalidade pulpar quando há suspeita de envolvimento endodôntico. Em alguns casos, exames laboratoriais complementares podem ser indicados para investigar condições sistêmicas, como diabetes mellitus mal controlado ou osteoporose, que agravam a perda óssea periodontal.
O tratamento depende diretamente da etiologia e do grau de comprometimento. Em casos leves associados à inflamação periodontal, a terapia não cirúrgica — raspagem e alisamento radicular, acompanhada de instrução em higiene oral e controle de fatores de risco (como tabagismo e glicemia) — pode estabilizar o dente. Quando há trauma oclusal, ajustes oclusais seletivos ou confecção de placas interoclusais são fundamentais. Em situações moderadas a graves, procedimentos cirúrgicos — como enxertos ósseos, regeneração tecidual guiada ou, em casos extremos, contenção temporária com splint — podem ser necessários. Contudo, se a perda óssea for irreversível e o dente estiver sem prognóstico funcional ou estético viável, a extração seguida de reabilitação protética ou implanto-suportada torna-se a conduta mais adequada.
É essencial ressaltar que a mobilidade dentária não é uma condição isolada, mas um marcador de alteração no equilíbrio entre os tecidos de suporte e as forças funcionais. Sua detecção precoce e intervenção multidisciplinar — envolvendo periodontista, endodontista e cirurgião-dentista — são determinantes para preservar a função mastigatória, a integridade estética e a qualidade de vida do paciente.