Por que o corrimento vaginal pode apresentar coloração esverdeada?
A secreção vaginal com coloração esverdeada é um achado clínico que merece atenção médica imediata, pois geralmente indica uma infecção bacteriana ou parasitária subjacente. Diferentemente do corrimen
A secreção vaginal com coloração esverdeada é um achado clínico que merece atenção médica imediata, pois geralmente indica uma infecção bacteriana ou parasitária subjacente. Diferentemente do corrimento fisiológico — que é incolor ou levemente branco, viscoso, inodoro e varia em quantidade conforme o ciclo menstrual — a secreção esverdeada costuma ser espessa, espumosa ou purulenta, frequentemente associada a odor fétido, prurido intenso, ardência ao urinar (disúria) e, em alguns casos, dor pélvica ou dispareunia.
As causas mais comuns incluem a tricomoníase, infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário *Trichomonas vaginalis*, caracterizada por corrimento esverdeado ou amarelado, espumoso, com cheiro de peixe podre e inflamação acentuada da mucosa vaginal e cervical. Outra possibilidade relevante é a vaginose bacteriana avançada, especialmente quando há supercrescimento de bactérias anaeróbias como *Gardnerella vaginalis*, podendo levar à produção de secreção esverdeada em estágios mais graves ou em associação com outras infecções. Também devem ser consideradas infecções por *Chlamydia trachomatis* ou *Neisseria gonorrhoeae*, particularmente se houver secreção purulenta associada a sintomas sistêmicos ou sinais de doença inflamatória pélvica.
É fundamental ressaltar que a autoadministração de antimicrobianos ou antissépticos vaginais sem diagnóstico prévio pode mascarar os sinais clínicos, dificultar a identificação etiológica e favorecer o desenvolvimento de resistência microbiana. O diagnóstico deve ser estabelecido por meio de anamnese detalhada, exame ginecológico cuidadoso e exames complementares, como pH vaginal, teste de “cheiro” com hidróxido de potássio (teste da amina), microscopia direta (exame de gota fresca) e, quando indicado, testes moleculares para detecção de patógenos específicos.
O tratamento deve ser individualizado conforme a causa identificada: metronidazol ou tinidazol para tricomoníase; metronidazol ou clindamicina para vaginose bacteriana; e antibióticos específicos — como azitromicina ou doxiciclina para clamídia, e ceftriaxona para gonorreia — nos casos de infecções por microrganismos intracelulares ou gram-negativos. É igualmente essencial orientar a parceira ou parceiro sexual quanto à necessidade de avaliação e tratamento concomitante, além de reforçar medidas de prevenção, como o uso correto de preservativo.