O que fazer se tiver relações sexuais menos de quinze dias após um aborto espontâneo ou induzido?
Se ocorreu relação sexual menos de 15 dias após um aborto (espontâneo ou induzido), é fundamental procurar orientação médica imediatamente. O período pós-aborto é crítico para a recuperação uterina: o endométrio está lesionado, o colo do útero pode estar ligeiramente aberto e há risco aumentado de infecções, hemorragias e complicações como endometrite ou salpingite. Além disso, a ovulação pode retomar precocemente — mesmo antes da primeira menstruação — tornando possível uma nova gravidez já nessa fase.
O ideal é evitar relações sexuais por, no mínimo, duas semanas após o procedimento, ou até que haja confirmação clínica de cicatrização adequada (geralmente avaliada em consulta de retorno, entre 7 e 14 dias). Caso a relação já tenha ocorrido, recomenda-se: (1) avaliação ginecológica urgente para exame físico, pesquisa de sinais de infecção (febre, dor pélvica, corrimento fétido ou purulento) e, se indicado, exames laboratoriais ou ultrassonografia; (2) uso imediato de contracepção de emergência, caso não haja proteção eficaz e a paciente não deseje nova gestação; (3) início precoce de método contraceptivo contínuo (como anticoncepcional oral, DIU ou implante), conforme avaliação individualizada.
É essencial reforçar que a retomada das atividades sexuais deve ser guiada por critérios clínicos — não apenas pelo tempo decorrido — e sempre com acompanhamento profissional. Ignorar essa recomendação pode comprometer a saúde reprodutiva a curto e longo prazo.