Qual antibiótico usar para tratar infecções bacterianas de sinusite?
A sinusite bacteriana é uma infecção das cavidades paranasais causada por bactérias, geralmente após um quadro viral prévio que compromete a drenagem mucociliar. O tratamento com antibióticos é indica
A sinusite bacteriana é uma infecção das cavidades paranasais causada por bactérias, geralmente após um quadro viral prévio que compromete a drenagem mucociliar. O tratamento com antibióticos é indicado apenas quando há sinais clínicos sugestivos de infecção bacteriana — como piora dos sintomas após 5 a 7 dias, febre persistente acima de 38,5 °C, secreção nasal purulenta unilateral ou bilateral por mais de 10 dias, ou dor facial intensa e localizada.
Os antibióticos de primeira linha recomendados pelas diretrizes internacionais (como as da American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery e da European Position Paper on Rhinosinusitis) são a amoxicilina e a amoxicilina associada ao ácido clavulânico. Esta última é preferida em casos de falha terapêutica prévia, exposição recente a antibióticos, comorbidades como DPOC ou imunossupressão, ou suspeita de patógenos resistentes, como *Streptococcus pneumoniae* resistente à penicilina ou *Haemophilus influenzae* produtora de betalactamase.
O tempo de tratamento varia conforme a gravidade: em adultos com sinusite aguda bacteriana não complicada, o curso típico é de 5 a 7 dias; já em formas recorrentes ou crônicas exacerbadas, pode-se estender para 10 a 14 dias. É fundamental ressaltar que o uso indiscriminado de antibióticos está associado ao desenvolvimento de resistência microbiana e a efeitos adversos desnecessários — por isso, sua prescrição deve sempre ser individualizada e baseada em critérios clínicos objetivos, nunca em mera suspeita ou desejo do paciente.
Além da antibioticoterapia, o manejo adequado inclui medidas coadjuvantes fundamentais: lavagem nasal com solução salina isotônica ou hipertônica, uso racional de descongestionantes tópicos (por no máximo três dias), analgésicos anti-inflamatórios não esteroides para controle da dor e febre, e, em alguns casos, corticosteroides intranasais para reduzir a inflamação da mucosa. A avaliação otolaringológica é essencial sempre que houver sinais de complicações — como edema periorbitário, alterações visuais, cefaleia intensa com rigidez de nuca ou alterações neurológicas — pois podem indicar extensão da infecção para estruturas adjacentes.