O que fazer quando uma criança tem febre, espirra e tem corrimento nasal?
Quando uma criança apresenta febre acompanhada de espirros e corrimento nasal, é muito provável que esteja diante de uma infecção viral das vias respiratórias superiores — como o resfriado comum, causado principalmente por rinovírus, ou por outros vírus como o vírus sincicial respiratório (VSR), adenovírus ou coronavírus sazonais. Esses quadros são extremamente frequentes na infância, especialmente em crianças menores de 5 anos, devido à imaturidade do sistema imunológico e ao contato frequente com outros pequenos em creches ou escolas.
O manejo deve ser essencialmente sintomático e orientado pela avaliação clínica cuidadosa. Recomenda-se a monitorização contínua da temperatura, hidratação oral adequada (água, soluções reidratantes orais ou leite materno/leite adaptado conforme idade), repouso e uso de medidas físicas para alívio da febre, como roupas leves e ambiente bem ventilado. O paracetamol ou ibuprofeno (se indicado conforme peso e idade) pode ser utilizado para controle da febre e desconforto, sempre respeitando as doses máximas diárias e os intervalos recomendados.
Para os sintomas nasais, a lavagem nasal com solução fisiológica isotônica (gotas ou soro fisiológico em spray) é segura e eficaz, especialmente antes das mamadas ou sono, ajudando a melhorar a respiração e reduzir a congestão. Evite o uso de descongestionantes nasais de venda livre em crianças menores de 6 anos, pois não têm comprovação de eficácia e podem causar efeitos adversos graves, como taquicardia ou agitação.
É fundamental observar sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata: febre persistente por mais de 72 horas sem melhora; febre acima de 40 °C em qualquer idade; dificuldade respiratória (taquipneia, tiragem intercostal, cianose); recusa alimentar prolongada ou desidratação (menos urina, olhos fundos, choro sem lágrimas); sonolência excessiva ou irritabilidade intensa; manchas avermelhadas que não desaparecem ao pressionar a pele (sinal de petéquia); ou piora progressiva após o terceiro dia de sintomas. Em lactentes menores de 3 meses com febre ≥ 38 °C, a avaliação médica deve ser realizada imediatamente, mesmo na ausência de outros sinais.
Lembre-se: antibióticos não são indicados para infecções virais comuns e devem ser reservados exclusivamente para complicações bacterianas confirmadas, como otite média aguda com sinais objetivos, sinusite bacteriana persistente ou pneumonia. A automedicação deve ser rigorosamente evitada. Sempre consulte um pediatra ou médico de família para avaliação individualizada, especialmente se houver comorbidades (como asma, cardiopatias congênitas ou imunossupressão) ou histórico de prematuridade.