Causas da endometrite pós-parto
A endometrite pós-parto é uma infecção do revestimento uterino (endométrio) que ocorre após o parto e representa uma complicação séria, embora relativamente rara, do período puerperal. Seu desenvolvim
A endometrite pós-parto é uma infecção do revestimento uterino (endométrio) que ocorre após o parto e representa uma complicação séria, embora relativamente rara, do período puerperal. Seu desenvolvimento está associado a fatores que favorecem a invasão bacteriana no útero durante ou após o parto.
As causas mais comuns incluem a introdução de microrganismos durante procedimentos obstétricos invasivos — como cesariana, episiotomia, uso de fórceps ou vácuo extrator — que podem romper barreiras anatômicas naturais e facilitar a colonização bacteriana. A presença de restos placentários ou tecido deciduo retido no útero também cria um ambiente propício à proliferação microbiana, especialmente por bactérias anaeróbias e aeróbias facultativas, como *Escherichia coli*, *Streptococcus agalactiae* (grupo B), *Prevotella* spp. e *Clostridium* spp.
Fatores de risco adicionais envolvem duração prolongada da ruptura das membranas amnióticas (mais de 18 horas), múltiplas toques vaginais durante o trabalho de parto, anemia materna, desnutrição, diabetes mellitus mal controlado e imunossupressão. Em casos de parto vaginal, a contaminação ascendente a partir da flora vaginal normal ou patogênica desempenha papel central; já na cesariana, a infecção tende a ter origem exógena, frequentemente relacionada à técnica cirúrgica ou à profilaxia antibiótica inadequada.
O diagnóstico baseia-se na associação clínica de febre persistente (>38 °C), dor pélvica intensa, secreção uterina purulenta ou fétida, taquicardia e leucocitose. A confirmação microbiológica, embora nem sempre realizada rotineiramente, pode ser obtida por culturas de secreção endometrial ou sangue, particularmente em quadros graves ou refratários ao tratamento empírico.
A prevenção envolve medidas rigorosas de antissepsia, profilaxia antibiótica perioperatória adequada (especialmente antes de cesarianas), remoção completa da placenta e membranas ao final do parto, além de vigilância atenta dos sinais de infecção no pós-parto imediato.