A secura vaginal pós-menopausa exige suplementação com estrogênio?
Após a menopausa, muitas mulheres relatam desconforto vaginal caracterizado por secura, ardência, coceira e dor durante a relação sexual — sintomas que, em conjunto, configuram o chamado distúrbio gen
Após a menopausa, muitas mulheres relatam desconforto vaginal caracterizado por secura, ardência, coceira e dor durante a relação sexual — sintomas que, em conjunto, configuram o chamado distúrbio genitourinário da menopausa (DGUM). Esse quadro resulta principalmente da queda acentuada nos níveis de estrogênio, que leva à atrofia do epitélio vaginal: o tecido torna-se mais fino, menos elástico, com menor produção de muco e alterações no pH vaginal, favorecendo infecções recorrentes e irritação.
A suplementação hormonal com estrogênio local — aplicada na forma de cremes, ovulos ou anéis vaginais — é uma opção terapêutica eficaz e amplamente recomendada pelas principais sociedades especializadas, como a Sociedade Brasileira de Climatério (SBC) e a International Menopause Society (IMS). Diferentemente da terapia hormonal sistêmica, as formulações locais têm biodisponibilidade limitada, com absorção mínima na circulação geral, o que reduz significativamente os riscos associados (como tromboembolismo ou câncer endometrial), especialmente em mulheres sem útero ou com endométrio saudável.
No entanto, a indicação deve ser individualizada. Antes de iniciar qualquer tratamento, é essencial avaliação clínica detalhada, incluindo anamnese ginecológica, exame físico e, quando necessário, exames complementares — como citologia cervical e ultrassonografia pélvica — para afastar outras causas de sintomas semelhantes, como infecções fúngicas, dermatoses inflamatórias ou neoplasias. Mulheres com antecedente pessoal de câncer de mama hormônio-sensível, trombofilias conhecidas ou trombose venosa profunda recente geralmente são contraindicadas ao uso de estrogênio, mesmo na via local.
Alternativas não hormonais também têm papel importante, sobretudo para pacientes com contraindicações ou preferência por abordagens não farmacológicas. Entre elas destacam-se lubrificantes à base de água ou silicone (para uso imediato), hidratantes vaginais à base de ácido hialurônico ou dextrose (com efeito prolongado), além de terapias emergentes como laser de CO₂ de baixa intensidade e radiofrequência, cuja eficácia está sendo validada em estudos clínicos controlados.
É fundamental reforçar que a secura vaginal pós-menopausa não é um “desconforto normal que se deve suportar”, mas uma condição médica tratável, com impacto direto na qualidade de vida, saúde sexual e bem-estar psicológico. A abordagem adequada envolve escuta empática, educação em saúde e escolha compartilhada entre paciente e profissional, sempre fundamentada em evidências científicas atualizadas.