Em março de 2026, durante a Conferência de Negócios em Produtos para a Saúde da Xiding — uma das principais plataformas do setor farmacêutico chinês — realizou-se o Fórum sobre Soluções para o Crescimento de Marcas Não Farmacêuticas. O evento reuniu centenas de profissionais do setor, incluindo gestores de redes de farmácias, representantes de marcas de produtos para saúde sem registro sanitário como suplementos nutricionais, dispositivos médicos de uso domiciliar, cosméticos dermatológicos e produtos de bem-estar, além de especialistas em marketing e estratégia de varejo farmacêutico. A sala ficou lotada ainda antes do início da palestra, com muitos participantes optando por permanecer em pé nos corredores ou mesmo acompanhando a apresentação do lado de fora, devido à alta demanda.
O destaque do fórum foi Li Shengta, diretor-geral da Guangdong Jundao Fanglüe Brand Operation Co., Ltd. e reconhecido especialista estratégico em crescimento e marketing no setor farmacêutico. Em sua palestra intitulada “Farmácias: O Canal Estratégico para o Retorno das Marcas Não Farmacêuticas ao Ambiente Físico”, Li apresentou uma análise estruturada e profundamente fundamentada sobre a redefinição do papel das farmácias no ecossistema de saúde preventiva e complementar.
Segundo Li, o esgotamento da “janela de oportunidade” do comércio eletrônico — caracterizado pela saturação de tráfego online, aumento expressivo dos custos de aquisição de clientes e queda contínua na confiança do consumidor em produtos não farmacêuticos adquiridos exclusivamente por canais digitais — impõe uma mudança paradigmática na lógica de distribuição. Hoje, o diferencial competitivo não reside mais apenas no preço ou na visibilidade digital, mas na “credibilidade profissional”: a capacidade de associar o produto a uma orientação clínica fundamentada, respaldada por evidências científicas e mediada por um profissional qualificado.
Nesse contexto, as farmácias deixam de ser meros pontos de venda para se tornarem “estações comunitárias de saúde”, onde a interação humana, a proximidade geográfica e a autoridade técnica do farmacêutico convergem em um ativo único e difícil de replicar digitalmente. Li destacou três pilares dessa vantagem intrínseca: (1) a credibilidade profissional — garantida pela orientação imediata e personalizada do farmacêutico, que atua como guardião da segurança terapêutica; (2) a segurança do ambiente físico — o espaço físico da farmácia transmite confiança psicológica, especialmente em categorias sensíveis como nutrição clínica ou cuidados dermatológicos; e (3) a relação interpessoal contínua — fortalecida pela frequência de contato presencial e pelo vínculo comunitário, que favorece a fidelização e o engajamento de longo prazo.
Para operacionalizar essa transformação, Li propôs um modelo prático de “Quatro Eixos de Operação Integrada”, desenvolvido a partir de múltiplos casos reais em redes de farmácias chinesas. O primeiro eixo é a capacitação profissional: treinamentos contínuos para farmacêuticos, com foco em fisiopatologia, interações nutricionais e recomendações baseadas em quadros clínicos — transformando o produto não farmacêutico em uma extensão natural do aconselhamento terapêutico. O segundo eixo é a gestão por dados inteligentes: aplicação do “Radar de Seleção de Produtos em Quatro Dimensões”, ferramenta que analisa perfil demográfico, padrões de morbidade local, sazonalidade e comportamento de compra para compor matrizes de categoria altamente segmentadas — evitando a homogeneização excessiva e maximizando a relevância comercial.
O terceiro eixo é a construção de cenários de experiência: criação de áreas temáticas dentro da farmácia — como “Espaço de Saúde Digestiva”, “Zona de Cuidado Capilar Clínico” ou “Área de Suporte à Saúde Óssea” — onde os produtos são apresentados não como itens isolados, mas como soluções integradas, com suporte visual, materiais educativos e demonstrações práticas. Por fim, o quarto eixo é a ativação multicanal com foco em comunidades: uso estratégico de grupos de mensagens instantâneas, campanhas de educação em saúde com periodicidade programada e acompanhamento pós-venda personalizado — convertendo o tráfego presencial em relacionamento duradouro e recorrente.
Li também chamou atenção para os quatro desafios estruturais que ainda limitam o potencial das vendas não farmacêuticas nas farmácias: planejamento inadequado de mix de produtos, lacunas na formação técnica dos profissionais, ausência de experiências sensoriais e contextuais significativas no ponto de venda, e estratégias promocionais excessivamente genéricas. Sua abordagem, centrada em soluções replicáveis e mensuráveis, ofereceu aos participantes um roteiro claro para superar essas barreiras — desde a requalificação da equipe até a reconfiguração física e tecnológica do ponto de venda.
A apresentação foi amplamente elogiada por sua clareza conceitual, rigor técnico e viabilidade prática. Muitos gestores relataram ter identificado imediatamente aplicações diretas em suas operações — desde ajustes na disposição de prateleiras até a implementação de protocolos de recomendação cruzada entre medicamentos e produtos complementares. A crescente regulamentação favorável no âmbito nacional — com normativas que ampliam o rol de produtos não farmacêuticos autorizados à comercialização sob supervisão farmacêutica — reforça ainda mais a pertinência estratégica dessa abordagem.
Com esta intervenção, Li Shengta não apenas consolidou sua posição como referência no campo da gestão integrada de saúde comunitária, mas também contribuiu para uma mudança de paradigma no setor: as farmácias deixam de ser vistas como espaços residuais para produtos secundários e passam a ocupar o centro da estratégia de posicionamento de marcas voltadas à prevenção, ao bem-estar e ao autocuidado informado — impulsionando, assim, o desenvolvimento sustentável e baseado em evidências do segmento não farmacêutico na cadeia de saúde.