O que comer quando o fluxo menstrual é escasso?
Quando uma mulher apresenta menstruação com fluxo reduzido (hipomenorreia), é fundamental investigar a causa subjacente antes de recomendar qualquer intervenção nutricional ou terapêutica. A hipomenorreia pode ser fisiológica — como no início da puberdade ou no período pré-menopausa — ou patológica, associada a condições como síndrome das ovários policísticos (SOP), hipotireoidismo, hiperprolactinemia, insuficiência ovariana precoce, alterações no eixo hipotálamo-hipófise-ovário, uso de contraceptivos hormonais (especialmente anticoncepcionais orais combinados ou dispositivos intrauterinos com progestogênio), ou ainda sequelas de curetagem uterina ou endometrite crônica.
Não há evidências científicas robustas que comprovem que alimentos específicos aumentem o fluxo menstrual. Embora algumas práticas tradicionais sugiram o consumo de gengibre, canela, folhas de framboesa ou ervas como a vitex agnus-castus, essas recomendações carecem de suporte em estudos clínicos controlados e randomizados. Além disso, o uso empírico de fitoterápicos pode interferir em medicamentos prescritos ou mascarar sinais de alerta importantes.
O manejo adequado começa com uma avaliação médica detalhada: anamnese completa (incluindo padrão menstrual anterior, uso de contraceptivos, histórico de perda de peso ou exercício excessivo, estresse psicológico), exame físico e exames complementares — como dosagens hormonais (FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH, testosterona total e livre), ultrassonografia pélvica transvaginal e, quando indicado, histeroscopia. A abordagem terapêutica deve ser personalizada: por exemplo, correção do hipotireoidismo com levotiroxina, ajuste ou suspensão de contraceptivos, tratamento da SOP com modulação hormonal ou metformina, ou acompanhamento em casos de transição menopausa.
Do ponto de vista nutricional, recomenda-se uma alimentação equilibrada, rica em ferro heme (carnes vermelhas, fígado), vitamina C (para melhorar a absorção intestinal do ferro não-heme), ácido fólico e vitamina B12 — não para aumentar o fluxo, mas para prevenir deficiências que podem ocorrer em ciclos irregulares ou associadas a sangramentos ocultos. Evite dietas restritivas extremas, déficit calórico significativo ou desnutrição, pois esses fatores podem suprimir a função gonadal e acentuar a oligomenorreia ou amenorreia.
Se a diminuição do fluxo for recente, acompanhada de dor pélvica, infertilidade, ganho de peso inexplicável, galactorreia ou sinais de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo), procure imediatamente um ginecologista ou endocrinologista. A persistência de alterações menstruais sem diagnóstico e tratamento adequados pode impactar negativamente a saúde reprodutiva, óssea e cardiovascular a longo prazo.