Como tratar a disfunção ovariana: orientações sobre estilo de vida e medicamentos
A disfunção ovariana é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade fértil, caracterizado por alterações no ritmo, intensidade ou duração dos ciclos menstruais, associadas frequentemente a
A disfunção ovariana é um distúrbio endócrino comum que afeta mulheres em idade fértil, caracterizado por alterações no ritmo, intensidade ou duração dos ciclos menstruais, associadas frequentemente a sintomas como oligomenorreia, amenorreia, sangramento uterino anormal, infertilidade, acne, hirsutismo ou sinais de deficiência estrogênica. A causa pode ser multifatorial: síndrome das ovários policísticos (SOP), hipotireoidismo, hiperprolactinemia, insuficiência ovariana precoce (IOP), estresse crônico, déficit nutricional grave ou distúrbios do eixo hipotálamo-hipófise-ovário.
O tratamento não se baseia em uma abordagem única, mas sim em uma avaliação diagnóstica rigorosa — incluindo dosagens hormonais séricas (FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH, testosterona total e livre, AMH), ultrassonografia pélvica transvaginal e, quando indicado, ressonância magnética da sela turca. A terapêutica deve ser personalizada conforme a etiologia, a idade da paciente, seus objetivos reprodutivos e o perfil de risco cardiovascular e tromboembólico.
Em casos de SOP, a primeira linha inclui modificação do estilo de vida (perda de peso moderada, dieta equilibrada rica em fibras e baixa carga glicêmica, atividade física regular) associada à metformina em pacientes com resistência à insulina. Anticoncepcionais orais combinados são frequentemente utilizados para regularizar o ciclo, reduzir androgênios e proteger o endométrio. Já na hiperprolactinemia, os agonistas dopaminérgicos — como a cabergolina — são o padrão-ouro, com alta eficácia na normalização dos níveis de prolactina e recuperação da função gonadal.
Na insuficiência ovariana precoce, o tratamento principal é a terapia de reposição hormonal (TRH) com estrógeno e progestogênio, iniciada precocemente e mantida até a idade média da menopausa natural (cerca de 51 anos), visando não apenas aliviar sintomas vasomotores e genitourinários, mas também prevenir osteoporose, dislipidemia e morbidades cardiovasculares associadas à deficiência estrogênica prolongada. Em mulheres com desejo reprodutivo, a doação de óvulos constitui a única opção viável atualmente para gravidez.
É fundamental ressaltar que nenhum medicamento deve ser iniciado empiricamente sem diagnóstico prévio. Suplementos fitoterápicos ou “remédios caseiros” não possuem evidência científica robusta para restaurar a função ovariana e podem até mascarar patologias graves ou interferir em exames laboratoriais. O acompanhamento contínuo com ginecologista especializado em reprodução ou endocrinologia ginecológica é essencial para monitorar resposta terapêutica, ajustar condutas e garantir segurança a longo prazo.