A pílula do dia seguinte pode causar acne?
É comum que mulheres que utilizam anticoncepcionais de emergência relatem o aparecimento ou agravamento de acne após a ingestão do medicamento. Esse efeito colateral está relacionado principalmente à
É comum que mulheres que utilizam anticoncepcionais de emergência relatem o aparecimento ou agravamento de acne após a ingestão do medicamento. Esse efeito colateral está relacionado principalmente à composição hormonal dos contraceptivos de emergência mais utilizados no Brasil — especialmente aqueles que contêm levonorgestrel, um progestágeno sintético com atividade androgênica leve.
O levonorgestrel age sobre os receptores hormonais da pele, podendo estimular as glândulas sebáceas a produzirem maior quantidade de sebo. Esse aumento na secreção sebácea favorece a obstrução dos folículos pilossebáceos e a proliferação da bactéria Cutibacterium acnes, fatores centrais no desenvolvimento da acne inflamatória e não inflamatória.
Vale ressaltar que o risco de acne é geralmente transitório e proporcional à exposição hormonal aguda: como o anticoncepcional de emergência é administrado em dose única (ou em duas doses com intervalo de 12 horas), os efeitos cutâneos costumam surgir entre 5 e 20 dias após a ingestão e tendem a regredir espontaneamente nas semanas seguintes, sem necessidade de tratamento específico.
Mulheres com histórico prévio de acne hormonal — por exemplo, aquelas cujas lesões pioram antes da menstruação ou em uso de métodos contraceptivos com progestágenos androgênicos — apresentam maior susceptibilidade a esse efeito adverso. Em contrapartida, métodos contraceptivos orais combinados contendo etinilestradiol e progestágenos antiandrogênicos (como ciproterona ou drospirenona) são frequentemente utilizados justamente para tratar acne associada à hiperandrogenismo.
Embora a acne seja um efeito colateral reconhecido, ela não representa um risco à saúde sistêmica nem contraindica o uso do anticoncepcional de emergência quando indicado. No entanto, mulheres com quadros graves ou persistentes devem ser avaliadas por dermatologista ou ginecologista para investigação de outras causas hormonais subjacentes e orientação sobre estratégias preventivas futuras.