O que fazer em caso de obstrução ureteral com hidronefrose?
Quando ocorre obstrução ureteral com consequente hidronefrose, é fundamental identificar e tratar a causa subjacente de forma rápida e adequada, pois o acúmulo progressivo de urina no rim pode levar à lesão renal aguda ou crônica, comprometendo irreversivelmente a função renal. As causas mais comuns incluem cálculos urinários (litíase), estenoses pós-cirúrgicas ou inflamatórias, tumores do trato urinário superior (como carcinoma de células transicionais do ureter), compressão extrínseca (ex.: linfonodos metastáticos, massas pélvicas) e anomalias congênitas (como junção ureteropélvica estreita).
O diagnóstico começa com exames de imagem: ultrassonografia renal é o método inicial de escolha por ser não invasiva, acessível e capaz de confirmar a presença, grau e unilateralidade da hidronefrose. Em seguida, tomografia computadorizada sem contraste (para avaliar litíase) ou com contraste (para caracterizar tumores ou estenoses) é frequentemente indicada. A urografia intravenosa e a ressonância magnética urológica são alternativas em casos específicos, como contraindicação ao contraste iodado ou necessidade de avaliação funcional detalhada.
O tratamento depende da gravidade da obstrução, da duração do quadro, da função renal residual e da condição clínica do paciente. Em situações agudas com dor intensa, febre ou disfunção renal (ex.: creatinina sérica elevada), a desobstrução imediata é prioritária. Isso pode ser feito por meio de nefrostomia percutânea (drenagem renal externa) ou colocação de cateter duplo-J (stent ureteral), geralmente sob orientação radiológica ou endoscópica. Após estabilização, aborda-se a causa primária — por exemplo, litotripsia extracorpórea para cálculos, ressecção endoscópica ou nefroureterectomia para tumores, ou correção cirúrgica para estenoses congênitas ou adquiridas.
A vigilância pós-tratamento é essencial: monitoramento da função renal (creatinina sérica, taxa de filtração glomerular estimada), exames de imagem de acompanhamento e avaliação urológica periódica ajudam a detectar recorrência ou progressão da doença. Pacientes com hidronefrose crônica ou bilateral devem ser acompanhados por nefrologista e urologista em conjunto, dada a maior complexidade do manejo e risco de insuficiência renal avançada.