Qual é a probabilidade de transmissão do HIV por cada via de contágio?
A transmissão do vírus da imunodeficiência humana (HIV) ocorre exclusivamente por meio de determinados fluidos corporais infectados — sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno — e exige condições específicas para que o contágio se concretize. A probabilidade de transmissão varia significativamente conforme a via de exposição, a carga viral da pessoa soropositiva (especialmente se controlada com terapia antirretroviral eficaz), a presença de lesões ou inflamações nas mucosas ou pele, e fatores comportamentais.
Entre as vias mais eficientes está a transfusão de sangue contaminado, com risco estimado em até 90–100% sem intervenção; no entanto, nos países com sistemas de triagem rigorosos, esse risco é praticamente nulo. A transmissão vertical (mãe para filho) pode atingir 15–45% sem profilaxia, mas cai para menos de 1% com tratamento adequado durante a gravidez, parto e aleitamento. A exposição percutânea ocupacional (ex.: agulhada acidental em profissionais de saúde) tem risco médio de 0,3% para HIV, enquanto a exposição mucocutânea (ex.: contato com sangue em mucosa ocular ou oral) é inferior a 0,09%.
No contexto sexual, o risco por ato vaginal desprotegido é de aproximadamente 0,08% para o receptor feminino e 0,04% para o receptor masculino; já na relação anal receptiva, o risco aumenta para cerca de 1,4% por ato, devido à maior fragilidade da mucosa retal. O uso consistente e correto do preservativo reduz o risco em mais de 90%. Importante ressaltar que pessoas com HIV em tratamento antirretroviral eficaz, com carga viral indetectável há pelo menos seis meses, não transmitem o vírus sexualmente — conceito cientificamente comprovado como “Indetectável = Intransmissível” (U=U).
Fluidos como saliva, lágrimas, suor, urina e fezes não transmitem HIV, mesmo em contato direto, pois contêm quantidades insignificantes ou ausência do vírus. Não há risco de transmissão por compartilhamento de utensílios domésticos, abraços, beijos sociais, piscinas ou insetos. Qualquer dúvida sobre exposição potencial deve ser avaliada por profissional de saúde para orientação sobre profilaxia pós-exposição (PEP), quando indicada dentro das primeiras 72 horas, ou testagem diagnóstica.