A diálise é eficaz na fase avançada da insuficiência renal em pacientes com diabetes?
A diálise é uma terapia vital e eficaz para pacientes com insuficiência renal avançada decorrente de diabetes mellitus — condição conhecida como nefropatia diabética em estágio terminal. Quando a função renal se reduz a menos de 10–15% da capacidade normal (geralmente correspondendo a uma taxa de filtração glomerular estimada — TFGe — inferior a 15 mL/min/1,73 m²), a diálise torna-se necessária para substituir funções essenciais dos rins, como a remoção de toxinas, equilíbrio hidroeletrolítico e controle da pressão arterial.
Embora a diálise não reverta o dano renal já estabelecido nem cure a doença de base, ela prolonga significativamente a sobrevida, melhora a qualidade de vida e previne complicações potencialmente fatais, como uremia, edema pulmonar agudo, hiperpotassemia grave e acidose metabólica descompensada. Em pacientes diabéticos, a escolha entre hemodiálise e diálise peritoneal deve levar em conta fatores individuais: comorbidades cardiovasculares, estado nutricional, mobilidade, suporte domiciliar e risco de infecções — especialmente considerando que a neuropatia e a angiopatia diabéticas podem influenciar a adesão e os resultados do tratamento.
É fundamental ressaltar que a diálise deve ser inserida em um plano terapêutico integrado, que inclua controle rigoroso da glicemia, da pressão arterial (com uso preferencial de inibidores da ECA ou bloqueadores dos receptores da angiotensina), manejo nutricional especializado, prevenção de complicações vasculares e avaliação contínua para possível transplante renal — que, quando viável, representa a opção com melhor prognóstico a longo prazo para muitos pacientes com nefropatia diabética avançada.