Como é tratada a síndrome das ovárias policísticas?
O tratamento da síndrome das ovárias policísticas (SOP) é individualizado, baseado nos sintomas apresentados, nas comorbidades associadas e nos objetivos reprodutivos da paciente. Não existe cura definitiva, mas as intervenções eficazes permitem o controle adequado dos sinais e sintomas, a redução do risco de complicações a longo prazo — como diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer endometrial — e a melhora da qualidade de vida.
A abordagem inicial prioriza mudanças no estilo de vida: perda de peso moderada (5–10% do peso corporal), especialmente em pacientes com sobrepeso ou obesidade, promove melhorias significativas na sensibilidade à insulina, na regulação menstrual e na ovulação espontânea. A orientação nutricional personalizada, com ênfase em dieta equilibrada de baixo índice glicêmico e atividade física regular (pelo menos 150 minutos/semana de exercício aeróbico moderado), constitui a base terapêutica não farmacológica.
Quanto ao tratamento farmacológico, as opções variam conforme a necessidade clínica. Para irregularidade menstrual e proteção endometrial, anticoncepcionais orais combinados são frequentemente a primeira escolha, pois regulam o ciclo, reduzem androgênios circulantes e previnem hiperplasia endometrial. Em casos de hiperandrogenismo (acne, hirsutismo), podem ser adicionados antiandrogênicos — como espironolactona — com precaução em mulheres em idade fértil (exigindo contracepção eficaz). Para infertilidade relacionada à anovulação, a clomifeno citrato continua sendo o fármaco de primeira linha; alternativas incluem letrozol (com maior eficácia em algumas populações) e, quando necessário, gonadotrofinas ou indução cirúrgica da ovulação (drilling ovariano por videolaparoscopia).
A resistência à insulina, presente em até 70% das pacientes com SOP, justifica o uso de metformina em situações específicas: mulheres com intolerância à glicose, diabetes gestacional prévia, ou aquelas que não respondem adequadamente às medidas não farmacológicas. Embora não seja indicada rotineiramente para todas, sua utilização deve ser avaliada caso a caso, considerando benefícios metabólicos e potenciais efeitos colaterais gastrointestinais.
O acompanhamento contínuo é essencial: avaliação anual de glicemia de jejum, perfil lipídico e pressão arterial; rastreamento de apneia do sono em pacientes com obesidade e sonolência diurna; e monitoramento ginecológico periódico, incluindo ultrassonografia pélvica e, quando indicado, biópsia endometrial em casos de sangramento uterino anormal prolongado. A abordagem multidisciplinar — envolvendo ginecologista, endocrinologista, nutricionista e psicólogo — é fundamental para garantir um manejo integral e sustentável.