Úlcera urinária causada por infecção fúngica
As úlceras urinárias associadas a infecções fúngicas são condições raras, mas potencialmente graves, especialmente em pacientes imunossuprimidos, como aqueles com diabetes mellitus descompensado, HIV avançado, uso prolongado de corticosteroides ou antibióticos de amplo espectro, ou indivíduos submetidos a cateterismo vesical de longa duração. O agente etiológico mais comum é o Candida albicans, embora outras espécies de Candida — como C. glabrata, C. tropicalis e C. krusei — também possam estar envolvidas.
Clinicamente, as úlceras urinárias fúngicas podem manifestar-se com disúria, polaciúria, hematúria macroscópica ou microscópica, dor suprapúbica e, em casos avançados, obstrução ureteral ou insuficiência renal aguda. O diagnóstico exige suspeita clínica fundamentada em fatores de risco e confirmação laboratorial: exame direto do sedimento urinário com pesquisa de leveduras e pseudofilamentos, urocultura específica para fungos (com identificação da espécie e teste de sensibilidade antifúngica), e, quando indicado, cistoscopia com biópsia da lesão ulcerada para análise histopatológica — que pode revelar invasão tecidual por hifas ou leveduras, além de resposta inflamatória crônica.
O tratamento deve ser individualizado conforme a gravidade, localização anatômica (trato urinário inferior vs. superior), espécie fúngica isolada e estado imunológico do paciente. Em infecções não complicadas do trato urinário inferior, o fluconazol oral (200–400 mg/dia por 7–14 dias) é frequentemente eficaz. Em infecções invasivas, resistentes ou em pacientes com falha terapêutica prévia, opta-se por anfotericina B lipossomal ou equinocandinas (ex.: micafungina ou caspofungina), muitas vezes com abordagem combinada e acompanhamento urológico para avaliação de obstrução ou necessidade de drenagem percutânea. A remoção de fatores predisponentes — como retirada de cateter vesical, controle rigoroso da glicemia e ajuste da imunossupressão — é essencial para prevenção de recorrências.