Crianças podem desenvolver unha fúngica?
SIM, as crianças podem desenvolver onicomicose, popularmente conhecida como “unha encardida” ou “unha cinzenta”, embora seja menos frequente do que em adultos. A onicomicose é uma infecção fúngica das unhas causada predominantemente por dermatófitos (como *Trichophyton rubrum* e *T. mentagrophytes*), mas também pode ser provocada por leveduras (ex.: *Candida albicans*) ou fungos filamentosos não dermatófitos.
Em crianças, os fatores de risco incluem exposição prolongada a ambientes úmidos (como piscinas, vestiários ou chuveiros coletivos), uso compartilhado de calçados ou utensílios de higiene pessoal, imunossupressão (ex.: em pacientes com doenças autoimunes ou em tratamento com corticosteroides), e antecedentes familiares de micose. Além disso, traumatismos leves nas unhas — comuns na infância devido à atividade física intensa — podem facilitar a invasão fúngica.
O quadro clínico geralmente começa com alterações discretas: descoloração (amarelada, esbranquiçada ou acinzentada), espessamento leve, opacidade ou descolamento distal da lâmina ungueal. Em estágios mais avançados, pode haver brittleness (fragilidade), desintegração da unha e, ocasionalmente, envolvimento de tecidos adjacentes com sinais inflamatórios. É fundamental diferenciar a onicomicose de outras condições que mimetizam seu aspecto, como psoríase ungueal, onicodistrofia traumática ou alterações nutricionais.
O diagnóstico deve ser confirmado por exame micológico direto (com hidróxido de potássio – KOH) e/ou cultura fúngica, pois o diagnóstico clínico isolado apresenta baixa especificidade. Em alguns casos, pode-se recorrer à dermatoscopia ungueal ou à PCR para identificação molecular do agente etiológico.
O tratamento depende da extensão da infecção, idade da criança, número de unhas acometidas e perfil de segurança dos medicamentos. Nas formas leves e limitadas (ex.: envolvimento de ≤2 unhas e sem comprometimento da matriz), prioriza-se a terapia tópica com espoliamentos antifúngicos (ex.: efinaconazol, ciclopirox ou amorolfina). Nas formas moderadas a graves, ou quando há envolvimento da matriz ungueal ou múltiplas unhas, pode ser indicado tratamento sistêmico — como terbinafina oral (aprovada para crianças ≥4 anos) ou itraconazol (com indicação off-label em pediatria, sob rigorosa avaliação benefício-risco). A fluconazol é menos eficaz contra dermatófitos e raramente utilizada como primeira linha.
A adesão ao tratamento é essencial, pois a resposta é lenta (podendo levar 6–12 meses para unhas dos pés) devido à taxa de crescimento ungueal. Medidas complementares — como manter os pés secos, usar meias de fibras naturais, evitar calçados oclusivos e desinfetar regularmente calçados e utensílios — são fundamentais para prevenir recorrências.
Recomenda-se avaliação dermatológica especializada sempre que houver suspeita de onicomicose infantil, especialmente se houver falha terapêutica inicial, comprometimento de múltiplas unhas ou sinais de disseminação cutânea. O manejo precoce evita complicações como onicogrifose secundária, dor funcional ou impacto psicossocial.