Qual é a probabilidade de contrair HIV?
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) não ocorre de forma uniforme em todas as situações de exposição. O risco real depende criticamente do tipo de contato, da carga viral da pessoa s
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) não ocorre de forma uniforme em todas as situações de exposição. O risco real depende criticamente do tipo de contato, da carga viral da pessoa soropositiva, da presença ou ausência de medidas preventivas — como o uso correto de preservativo ou a profilaxia pré-exposição (PrEP) — e de fatores clínicos individuais, como inflamação genital ou coinfecções por outras doenças sexualmente transmissíveis.
Estudos epidemiológicos robustos indicam que o risco médio de transmissão por relação sexual vaginal desprotegida com uma pessoa vivendo com HIV e sem tratamento antirretroviral varia entre 0,04% e 0,1% por ato — ou seja, aproximadamente 1 caso a cada 1.000 a 2.500 exposições. Já na relação anal receptiva sem proteção, o risco é significativamente maior, estimado entre 0,5% e 3% por ato, devido à maior vulnerabilidade tecidual do reto. Em contrapartida, o risco associado à relação oral é extremamente baixo, com evidências científicas insuficientes para quantificá-lo de forma precisa, sendo considerado negligenciável na prática clínica quando não há lesões orais ativas ou sangramento.
É fundamental ressaltar que o tratamento antirretroviral eficaz reduz a carga viral no sangue e nas secreções genitais a níveis indetectáveis — condição conhecida como “indetectável = intransmissível” (U=U). Nesse cenário, estudos prospectivos de grande porte, como o PARTNER e o Opposites Attract, demonstraram zero casos de transmissão sexual confirmada entre casais sorodiscordantes quando o parceiro vivendo com HIV mantinha supressão viral sustentada por mais de seis meses.
Além disso, intervenções como a PrEP — tomada diária ou em esquema “on-demand” — reduzem o risco de infecção por via sexual em mais de 99%, desde que utilizada conforme orientação médica. A profilaxia pós-exposição (PEP), iniciada até 72 horas após exposição de risco, também é altamente eficaz se administrada corretamente por 28 dias consecutivos.
Portanto, embora o HIV continue sendo uma ameaça à saúde pública global, seu risco de transmissão é hoje altamente modificável e previsível. A combinação de diagnóstico precoce, tratamento contínuo, estratégias de prevenção baseadas em evidências e educação em saúde permite não apenas reduzir drasticamente a incidência, mas também promover qualidade de vida plena para pessoas vivendo com o vírus.