Quais exames são necessários para identificar a causa da faringite?
Para esclarecer a causa subjacente da faringite, é fundamental realizar uma avaliação clínica detalhada, complementada por exames diagnósticos específicos. O primeiro passo consiste na anamnese cuidad
Para esclarecer a causa subjacente da faringite, é fundamental realizar uma avaliação clínica detalhada, complementada por exames diagnósticos específicos. O primeiro passo consiste na anamnese cuidadosa — com ênfase na duração dos sintomas, presença de febre, dor ao deglutir, linfadenopatia cervical, exposição recente a casos semelhantes e fatores de risco como tabagismo ou refluxo gastroesofágico.
O exame físico foca na inspeção da orofaringe: observa-se a presença de eritema difuso ou localizado, exsudato tonsilar, hipertrofia das amígdalas, petéquias no palato mole e sinais de inflamação laríngea ou conjuntival. A palpação cervical ajuda a identificar linfonodos aumentados de volume e dolorosos — achado típico nas infecções bacterianas agudas.
O exame mais indicado para diferenciar faringite viral de bacteriana — especialmente suspeita de infecção por *Streptococcus pyogenes* (estreptococo do grupo A) — é o teste rápido de antígeno estreptocócico (TARE), realizado com swab faríngeo. Embora apresente alta especificidade (>95%), sua sensibilidade varia entre 80% e 90%, razão pela qual, em casos negativos com alto índice de suspeita clínica, recomenda-se a cultura faríngea, considerada padrão-ouro para confirmação diagnóstica.
Em situações atípicas — como faringite recorrente, persistente por mais de três semanas, ou associada a sinais de alarme (perda ponderal inexplicada, úlceras não cicatrizantes, massa palpável ou rouquidão prolongada) — devem ser considerados exames complementares: hemograma completo, testes sorológicos para mononucleose infecciosa (EBV, CMV), HIV e sífilis, além de endoscopia laríngea ou tomografia computadorizada de cabeça e pescoço, conforme indicado.
A abordagem diagnóstica deve sempre ser individualizada, evitando solicitações desnecessárias e orientando adequadamente o uso de antibióticos — cuja prescrição deve basear-se exclusivamente em evidência microbiológica ou critérios clínicos bem definidos, como as escalas de Centor ou McIsaac.