Como tratar o ronco noturno
O ronco noturno é um fenômeno comum, mas que pode indicar condições clínicas relevantes, desde alterações anatômicas benignas até distúrbios respiratórios graves como a apneia obstrutiva do sono (AOS)
O ronco noturno é um fenômeno comum, mas que pode indicar condições clínicas relevantes, desde alterações anatômicas benignas até distúrbios respiratórios graves como a apneia obstrutiva do sono (AOS). O tratamento deve ser individualizado, baseado na causa subjacente, na gravidade dos sintomas e no impacto na qualidade de vida do paciente.
Em casos leves, medidas comportamentais são frequentemente eficazes: perda de peso em pacientes com sobrepeso ou obesidade, evitação do álcool e de sedativos nas horas que antecedem o sono, e mudança da posição corporal — especialmente evitar dormir em decúbito dorsal, pois essa postura favorece o colapso das estruturas faríngeas. O uso de travesseiros específicos ou dispositivos que incentivam o sono lateral pode ser útil nesse contexto.
Quando há obstrução nasal crônica — por desvio de septo, hipertrofia de cornetos ou rinite alérgica — o tratamento médico ou cirúrgico adequado pode reduzir significativamente o ronco. Corticoides tópicos intranasais, antialérgicos e, em alguns casos, cirurgia funcional nasal (como septoplastia ou turbinectomia) são opções validadas pela evidência.
Para pacientes com diagnóstico confirmado de apneia obstrutiva do sono moderada a grave, a pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) é o tratamento padrão-ouro. Dispositivos orais de avanço mandibular também são indicados, especialmente em formas leves a moderadas ou quando há contraindicação ou baixa adesão ao CPAP. Em seleção rigorosa de candidatos, procedimentos cirúrgicos — como uvulopalatofaringoplastia (UPPP), cirurgia ortognática ou, mais recentemente, estimulação do nervo hipoglosso — podem ser considerados.
É fundamental que o ronco persistente, especialmente quando associado a pausas respiratórias, sonolência diurna excessiva, cefaleias matinais ou alterações cognitivas, seja avaliado por um especialista em medicina do sono. O diagnóstico preciso, geralmente por polissonografia ou cardiorespiratória domiciliar, orienta a escolha terapêutica mais segura e eficaz, prevenindo complicações cardiovasculares e metabólicas associadas à hipoxemia noturna crônica.