Por que a gengiva fica escura?
Escurecimento da gengiva é um achado clínico que pode ter diversas causas, desde alterações fisiológicas benignas até condições patológicas mais graves. A coloração escura ou acinzentada da mucosa gen
Escurecimento da gengiva é um achado clínico que pode ter diversas causas, desde alterações fisiológicas benignas até condições patológicas mais graves. A coloração escura ou acinzentada da mucosa gengival geralmente resulta do aumento na deposição de melanina — o pigmento responsável pela cor da pele e das mucosas — ou, em casos menos comuns, da presença de depósitos exógenos (como metais pesados) ou de processos inflamatórios crônicos.
Em indivíduos com fototipos cutâneos mais escuros (Fitzpatrick IV a VI), a hiperpigmentação fisiológica da gengiva é extremamente comum e considerada normal. Trata-se de uma variação anatômica benigna, frequentemente difusa e simétrica, sem sinais associados de inflamação, sangramento ou dor. Nesses casos, não há necessidade de intervenção terapêutica, exceto por motivos estéticos, após avaliação cuidadosa por um periodontista.
No entanto, certos fatores adquiridos exigem investigação diagnóstica mais detalhada. O uso crônico de medicamentos como antimaláricos (ex.: hidroxicloroquina), quimioterápicos ou minoxidil pode induzir hiperpigmentação mucosa. Também merecem atenção condições sistêmicas, como a doença de Addison (hipocortisolismo primário), em que o aumento dos níveis de ACTH estimula os melanócitos, levando a pigmentação difusa em áreas expostas — incluindo a gengiva. Outras possibilidades incluem amiloidose oral, hemocromatose ou exposição ocupacional a bismuto ou prata.
É fundamental diferenciar esse escurecimento benigno de lesões suspeitas: manchas assimétricas, irregulares, de crescimento rápido, com bordas mal definidas ou associadas a ulceração, sangramento espontâneo ou perda de tecido são alertas para neoplasias, como o melanoma mucoso — um tumor raro, mas altamente agressivo, com prognóstico reservado se diagnosticado tardiamente.
Diante do achado de gengiva pigmentada, o profissional deve realizar anamnese detalhada (incluindo histórico médico, uso de medicações e exposições ambientais), exame clínico completo da cavidade bucal e, quando indicado, biópsia incisional para análise histopatológica. A conduta varia conforme a etiologia identificada: desde acompanhamento clínico periódico até tratamento específico da condição subjacente ou remoção cirúrgica em casos neoplásicos.