Benefícios e riscos do consumo de alcaçuz
O alcaçuz, conhecido cientificamente como *Glycyrrhiza glabra*, é uma planta medicinal tradicionalmente utilizada na medicina chinesa e em diversas farmacopeias ao redor do mundo. Seus rizomas contêm
O alcaçuz, conhecido cientificamente como *Glycyrrhiza glabra*, é uma planta medicinal tradicionalmente utilizada na medicina chinesa e em diversas farmacopeias ao redor do mundo. Seus rizomas contêm glicirrizina — um triterpeno glicosídico responsável por grande parte de seus efeitos fisiológicos — além de flavonoides, cumarinas e ácidos orgânicos.
Entre os benefícios comprovados clinicamente, destaca-se a ação anti-inflamatória e protetora da mucosa gastrointestinal: estudos randomizados controlados demonstraram que extratos padronizados de alcaçuz, especialmente na forma deglicirrizinada (DGL), reduzem significativamente a intensidade e a duração de úlceras pépticas e gastrites, promovendo a regeneração tecidual por estimulação da síntese de prostaglandinas e aumento da secreção de muco gástrico.
O alcaçuz também apresenta propriedades antivirais comprovadas *in vitro* e em modelos animais contra vírus respiratórios, incluindo alguns coronavírus humanos, graças à inibição da replicação viral e à modulação da resposta imune inata. No entanto, esses achados ainda não foram validados em ensaios clínicos robustos em humanos.
Por outro lado, o consumo crônico ou em doses elevadas — especialmente de preparações que conservam a glicirrizina — está associado a sérios riscos. A glicirrizina inibe a enzima 11β-hidroxiesteroide desidrogenase tipo 2, levando ao acúmulo funcional de cortisol nos rins e consequente ativação excessiva dos receptores mineralocorticoides. Isso pode desencadear síndrome de pseudo-hiperaldosteronismo, caracterizada por hipertensão arterial, hipopotassemia, retenção hídrica, edema periférico e, em casos graves, arritmias cardíacas e insuficiência cardíaca congestiva.
A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomenda que o uso oral de produtos contendo alcaçuz não ultrapasse quatro semanas consecutivas, com ingestão diária máxima de 100 mg de glicirrizina — equivalente a aproximadamente 50 g de doces de alcaçuz por dia em adultos saudáveis. Pacientes com hipertensão, insuficiência cardíaca, doença renal crônica ou gestantes devem evitar seu uso sem orientação médica especializada.
Em resumo, o alcaçuz é uma planta com potencial terapêutico relevante, mas cujo perfil de segurança exige avaliação cuidadosa do risco-benefício. Sua utilização deve ser sempre individualizada, preferencialmente sob supervisão de profissionais de saúde qualificados e com produtos de qualidade controlada e adequadamente rotulados quanto ao teor de glicirrizina.