A remoção do útero afeta as relações sexuais?
A remoção do útero (histerectomia) não interfere diretamente na capacidade de ter relações sexuais, pois os órgãos responsáveis pela sensação sexual — como os lábios maiores e menores, o clitóris, a vagina e as glândulas vestibulares — permanecem intactos após o procedimento. A lubrificação vaginal, a resposta ao estímulo sexual e a capacidade de atingir o orgasmo geralmente são preservadas, especialmente quando a histerectomia é realizada sem remoção dos ovários (ooforectomia).
No entanto, alguns fatores podem influenciar temporária ou permanentemente a experiência sexual após a cirurgia: a cicatrização pós-operatória pode exigir abstinência por 6 a 8 semanas para evitar complicações; alterações hormonais ocorrem se os ovários forem retirados, levando à menopausa cirúrgica precoce, com sintomas como ressecamento vaginal, diminuição da libido e dispareunia — condições que respondem bem ao tratamento com terapia de reposição hormonal ou lubrificantes à base de água ou silicone. Além disso, aspectos psicológicos, como ansiedade, luto pela perda da fertilidade ou mudanças na autoimagem, também merecem atenção e podem ser abordados com apoio psicológico especializado.
É fundamental que cada paciente receba orientação individualizada antes e após a cirurgia, com avaliação ginecológica contínua e, quando necessário, encaminhamento para fisioterapia pélvica ou terapia sexual. A maioria das mulheres relata manutenção ou até melhora da qualidade da vida sexual após a histerectomia, particularmente quando a cirurgia resolve sintomas preexistentes, como dor pélvica crônica, sangramento abundante ou endometriose avançada.