A testosterona melhora mesmo a função sexual?
O testosterona é um hormônio esteroide essencial produzido principalmente nos testículos nos homens e, em menor quantidade, nos ovários e nas glândulas adrenais nas mulheres. Embora seja frequentement
O testosterona é um hormônio esteroide essencial produzido principalmente nos testículos nos homens e, em menor quantidade, nos ovários e nas glândulas adrenais nas mulheres. Embora seja frequentemente associado à libido e ao desempenho sexual, sua relação com a função sexual é mais complexa do que uma simples correlação direta.
Em homens com hipogonadismo — ou seja, níveis clinicamente baixos de testosterona confirmados por exames laboratoriais repetidos — a terapia de reposição hormonal pode melhorar significativamente o desejo sexual (libido), a frequência de ereções espontâneas e, em alguns casos, a qualidade da ereção. No entanto, essa melhora ocorre apenas quando há deficiência real do hormônio, não em indivíduos com níveis normais ou borderline.
Estudos clínicos robustos demonstram que, em homens com testosterona sérica dentro da faixa fisiológica normal, suplementação exógena não traz benefícios mensuráveis para a função erétil ou para a satisfação sexual. Pelo contrário, o uso inadequado pode acarretar riscos importantes, como aumento da massa de hemácias (eritrocitose), retenção hídrica, alterações no perfil lipídico, redução da espermatogênese e potencial agravamento de condições preexistentes, como apneia do sono ou doenças cardiovasculares.
É fundamental destacar que a disfunção erétil tem múltiplas causas — vasculares, neurológicas, psicológicas, endócrinas ou medicamentosas — e a avaliação deve ser sempre individualizada. A dosagem sérica de testosterona total e livre, preferencialmente realizada pela manhã em jejum, é indicada apenas quando há sinais e sintomas sugestivos de deficiência hormonal, como diminuição persistente da libido, fadiga inexplicável, perda de massa muscular ou osteoporose precoce.
Portanto, embora a testosterona desempenhe um papel fisiológico relevante na regulação da função sexual masculina, ela não é um “tonificante” universal nem um tratamento empírico para distúrbios sexuais. A decisão sobre reposição hormonal deve ser baseada em diagnóstico preciso, avaliação clínica cuidadosa e acompanhamento multidisciplinar contínuo.