O que fazer quando o volume de esperma é muito baixo?
Quando se observa uma quantidade reduzida de espermatozoides no sêmen — condição conhecida como oligozoospermia — é fundamental realizar uma avaliação médica especializada, preferencialmente com um urologista ou andrologista. A causa pode ser multifatorial: alterações hormonais (como baixos níveis de testosterona, FSH ou LH), varicocele, infecções do trato genital (por exemplo, epididimite crônica), exposição a toxinas ambientais ou ocupacionais, uso crônico de álcool, tabaco ou drogas ilícitas, obesidade, estresse oxidativo elevado, distúrbios genéticos (como síndrome de Klinefelter ou deleções no cromossomo Y) ou efeitos colaterais de medicamentos (como quimioterápicos, antidepressivos ou bloqueadores beta).
O diagnóstico começa com uma anamnese detalhada, exame físico focado no sistema genital (incluindo palpação dos testículos e plexo venoso), e análise seminal conforme critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), repetida em pelo menos duas amostras com intervalo de 2–3 semanas. Exames complementares podem incluir dosagens hormonais séricas (testosterona total e livre, FSH, LH, prolactina, estradiol), ultrassonografia escrotal com Doppler para avaliar varicocele ou alterações estruturais, e, quando indicado, testes genéticos ou avaliação de fragmentação do DNA espermático.
O tratamento depende da causa identificada: correção cirúrgica de varicocele pode melhorar significativamente a concentração espermática em casos selecionados; terapia hormonal é reservada para pacientes com déficit comprovado e deve ser conduzida com rigor, pois o uso inadequado de testosterona exógena pode suprimir ainda mais a espermatogênese; suplementos antioxidantes (como vitamina C, vitamina E, zinco, selênio e coenzima Q10) têm evidência moderada de benefício em alguns estudos, mas não substituem abordagens etiológicas. Em casos de infertilidade persistente, técnicas de reprodução assistida — como inseminação intrauterina (IIU) ou fertilização in vitro (FIV), com ou sem injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI) — são opções eficazes e frequentemente recomendadas.
É essencial orientar o paciente sobre medidas de estilo de vida que apoiam a saúde reprodutiva masculina: manter peso corporal adequado, praticar atividade física regular, evitar exposição a altas temperaturas (como banhos quentes prolongados ou uso frequente de saunas), reduzir o consumo de álcool e cessar o tabagismo. O acompanhamento contínuo com profissional qualificado permite ajustes terapêuticos personalizados e oferece suporte psicológico, já que a infertilidade masculina pode impactar significativamente o bem-estar emocional e a qualidade de vida do casal.