O que fazer se houver sangramento contínuo após uma curetagem diagnóstica?
Após uma curetagem diagnóstica, é comum apresentar sangramento vaginal leve a moderado por até 7 a 10 dias — semelhante a uma menstruação escassa ou a um corrimento sanguinolento. Esse sangramento ocorre devido à descamação do endométrio e à cicatrização do leito uterino. No entanto, se o sangramento persistir por mais de 10 dias, for intenso (exigindo troca de absorvente a cada 1–2 horas), estiver associado a coágulos maiores que uma moeda de 2 euros, dor pélvica intensa, febre acima de 37,5 °C, mau cheiro vaginal ou sinais de instabilidade hemodinâmica (taquicardia, tontura, palidez), isso pode indicar complicações como infecção uterina (endometrite), curetagem incompleta, lesão uterina (perfuração) ou distúrbio de coagulação.
Recomenda-se procurar atendimento médico imediatamente nessas situações. O ginecologista avaliará com exame físico, ultrassonografia transvaginal (para verificar restos teciduais, espessura endometrial ou líquido livre na pelve) e, se necessário, exames laboratoriais (hemograma completo, PCR, culturas cervicais ou endometriais). O tratamento dependerá da causa: antibióticos para infecção, nova curetagem ou aspiração a vácuo para restos retidos, reposição hormonal em casos de hiperplasia ou desequilíbrio endócrino, ou intervenção cirúrgica emergencial em situações raras como perfuração uterina com sangramento intraperitoneal.
Enquanto aguarda avaliação médica, evite relações sexuais, uso de tampões, duchas vaginais e esforços físicos intensos. Mantenha boa higiene local com água e sabão neutro, e observe atentamente a evolução dos sintomas. Lembre-se: sangramento prolongado após procedimento invasivo no útero nunca deve ser ignorado — a avaliação oportuna previne complicações graves, como anemia ferropriva, sepse ou infertilidade secundária.