Quais cuidados devem ser tomados por pessoas com hepatite B?
Em pacientes com hepatite B crônica, é fundamental adotar medidas preventivas e de acompanhamento contínuo para evitar complicações graves, como cirrose hepática, insuficiência hepática ou carcinoma hepatocelular. Primeiramente, é indispensável o acompanhamento regular com hepatologista ou infectologista, com monitorização semestral ou anual da carga viral (DNA do vírus da hepatite B), das transaminases séricas (ALT e AST), da função hepática (bilirrubinas, albumina, tempo de protrombina) e de marcadores tumorais, como a alfafetoproteína (AFP), além de exames de imagem, como ultrassonografia abdominal.
O uso de antivirais de alta barreira genética — como entecavir, tenofovir disoproxil fumarato (TDF) ou tenofovir alafenamida (TAF) — é recomendado em casos com replicação viral ativa e/ou sinais de atividade inflamatória hepática, visando suprimir a replicação viral, reduzir a necroinflamação hepática e prevenir a progressão da doença. O tratamento geralmente é de longa duração, muitas vezes vitalício, e não deve ser interrompido sem orientação médica rigorosa, sob risco de reativação viral grave.
É essencial evitar o consumo de álcool em qualquer quantidade, pois potencializa significativamente o dano hepático. Também se recomenda vacinação contra hepatite A (se soronegativo), vacinação pneumocócica e influenza anual, dada a maior vulnerabilidade a infecções. Pacientes devem ser orientados sobre prevenção da transmissão: uso consistente de preservativo em relações sexuais, não compartilhamento de objetos perfurocortantes (como lâminas de barbear ou escovas de dentes), e notificação dos contatos próximos para avaliação sorológica e vacinação, quando indicado.
A dieta deve ser equilibrada, com restrição de gorduras saturadas e açúcares refinados, evitando sobrecarga metabólica no fígado; o controle do peso e a prática regular de atividade física moderada são importantes, especialmente na presença de esteatose hepática associada. Por fim, é crucial evitar automedicação — inclusive fitoterápicos e suplementos — sem avaliação prévia do médico, pois muitos compostos têm potencial hepatotóxico.