Como é realizado o exame de histeroscopia?
A histeroscopia é um procedimento diagnóstico e, em alguns casos, terapêutico, que permite a visualização direta da cavidade uterina por meio de um instrumento chamado histeroscópio — um endoscópio fino, rígido ou flexível, equipado com sistema óptico e fonte de luz. O exame é geralmente realizado em ambiente ambulatorial, embora possa ser feito sob sedação leve ou anestesia local, dependendo da complexidade, da sensibilidade da paciente e das indicações clínicas.
O procedimento inicia-se com a colocação da paciente em posição ginecológica (decúbito dorsal com pernas apoiadas em estribos). Após antissepsia do campo operatório, realiza-se a introdução suave de um espéculo vaginal para exposição do colo uterino. Em seguida, o colo é limpo e, quando necessário, aplicado um agente cervical (como misoprostol) previamente ou uma dilatação mecânica leve com dilatadores de Hanks ou de Pratt, especialmente em pacientes nulíparas ou com estenose cervical. O histeroscópio é então inserido cuidadosamente através do canal cervical até a cavidade uterina.
Para distender a cavidade e permitir uma visualização adequada, utiliza-se um meio distensor — habitualmente solução fisiológica (soro fisiológico 0,9%) em histeroscopia diagnóstica, ou gás carbônico (CO₂), dependendo do tipo de equipamento e da finalidade do exame. A pressão e o fluxo do meio distensor são rigorosamente controlados para evitar complicações como embolismo gasoso ou sobrecarga hídrica. Durante a inspeção, o médico avalia sistematicamente a morfologia do endométrio, a simetria das tubas uterinas (ostium tubárico), a presença de alterações como pólipos endometriais, miomas submucosos, sinéquias (aderências intrauterinas), malformações congênitas (ex.: útero septado) ou sinais de inflamação ou neoplasia.
A duração média do procedimento varia entre 5 e 20 minutos, sendo mais curta na histeroscopia diagnóstica simples. Caso sejam identificadas lesões passíveis de tratamento imediato — como ressecção de pólipos ou miomas submucosos — pode-se realizar uma histeroscopia cirúrgica, que demanda equipamento específico (histeroscópio operatório com canal de trabalho) e, frequentemente, anestesia peridural ou geral. Após o término, a paciente é observada por um curto período e, na maioria dos casos, pode retornar às atividades normais no mesmo dia, embora se recomende evitar relações sexuais e uso de tampões por cerca de uma semana.
Complicações são raras, mas incluem perfuração uterina, infecção pélvica, retenção de líquido distensor ou reação alérgica ao meio utilizado. A contraindicação absoluta é a gravidez confirmada; contraindicações relativas incluem infecção genital ativa não tratada, sangramento uterino abundante no momento do exame e distorção grave da anatomia pélvica que impeça a abordagem segura.