O que significa ter refluxo ácido pela boca?
O refluxo gastroesofágico é a causa mais comum de sensação de “água ácida” na boca, também conhecida como regurgitação ácida. Trata-se do retorno involuntário do conteúdo gástrico — que inclui ácido clorídrico, pepsina e, ocasionalmente, bile — do estômago para o esôfago e, em alguns casos, até para a cavidade oral. Esse fenômeno ocorre principalmente devido à disfunção do esfíncter esofagiano inferior (EEI), que normalmente atua como uma válvula unidirecional impedindo o refluxo. Fatores predisponentes incluem obesidade, gravidez, hérnia de hiato, ingestão excessiva de alimentos gordurosos ou picantes, consumo de café, álcool ou chocolate, tabagismo e distensão gástrica pós-prandial.
Além do refluxo fisiológico ou patológico, outras condições devem ser consideradas no diagnóstico diferencial: síndrome de Zollinger-Ellison (hipersecreção ácida por tumor secretor de gastrina), gastropatia por uso crônico de AINEs ou corticoides, infecção por *Helicobacter pylori*, distúrbios motores esofágicos (como a acalasia ou a peristalse ineficaz) e, raramente, tumores malignos do trato gastrointestinal superior. Em idosos ou pacientes com sintomas atípicos — como tosse crônica, disfonia, pneumonia aspirativa recorrente ou dor torácica não cardíaca — o refluxo silencioso (sem azia típica) deve ser investigado com maior rigor.
A avaliação clínica deve incluir anamnese detalhada (frequência, horário, relação com as refeições e postura), exame físico e, quando indicado, exames complementares como pHmetria esofágica de 24 horas, manometria esofágica, endoscopia digestiva alta com biópsias e teste de imagem funcional (como a cintilografia gastroesofágica). O tratamento envolve medidas não farmacológicas (elevação da cabeceira da cama, dieta adequada, perda de peso, evitar decúbito dorsal nas 3 horas após as refeições) e terapêutica medicamentosa, inicialmente com inibidores da bomba de prótons (IBP) em dose plena por 4–8 semanas. Em casos refratários ou com complicações (esofagite erosiva, estenose, metaplasia de Barrett), pode ser necessário ajuste terapêutico, abordagem cirúrgica (fundoplicatura de Nissen) ou seguimento endoscópico periódico.