Quais são as causas da diminuição do volume urinário?
A diminuição do volume urinário — conhecida clinicamente como oligúria — é definida como uma produção urinária inferior a 400 mL por dia em adultos ou menos de 0,5 mL/kg/hora. Essa alteração pode ter causas multifatoriais, classificadas em três grandes grupos: pré-renais, renais e pós-renais.
As causas pré-renais são as mais comuns e resultam de uma redução efetiva do fluxo sanguíneo renal, sem lesão intrínseca ao parênquima renal. Incluem hipovolemia (por desidratação, sangramento ou perdas gastrointestinais), insuficiência cardíaca descompensada, choque séptico ou cardiogênico, e uso de medicamentos que comprometem a perfusão renal, como inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECAs) ou antagonistas dos receptores da angiotensina (ARA-II), especialmente em pacientes com estenose de artéria renal ou função renal prévia comprometida.
As causas renais envolvem dano direto ao tecido renal, como na necrose tubular aguda (frequentemente associada a isquemia prolongada ou nefrotoxicidade por antibióticos aminoglicosídeos, contrastes iodados ou anti-inflamatórios não esteroidais), glomerulonefrites, vasculites ou intersticites medicamentosas.
Já as causas pós-renais decorrem de obstrução do trato urinário, podendo ocorrer em qualquer nível — desde os cálices renais até a uretra. Exemplos incluem litíase urinária, tumores da bexiga ou próstata (hiperplasia prostática benigna ou câncer), coágulos intravesicais, estreitamento uretral ou compressão extrínseca (como por linfadenopatias ou massas abdomino-pélvicas).
É fundamental avaliar o contexto clínico completo: história de ingestão hídrica, uso de fármacos, sinais de desidratação ou edema, pressão arterial, função cardíaca, exames de imagem (ultrassonografia renal com doppler) e exames laboratoriais (ureia, creatinina sérica, eletrólitos, urina tipo I com sedimento). A oligúria constitui um achado grave que exige investigação diagnóstica imediata, pois pode evoluir para insuficiência renal aguda com risco de complicações metabólicas, cardiovasculares e neurológicas.