As infecções fúngicas estão relacionadas à dermatite?
Sim, as infecções fúngicas podem estar diretamente relacionadas à dermatite, mas é essencial distinguir entre diferentes mecanismos envolvidos. Em alguns casos, a infecção fúngica — especialmente por dermatófitos (como Trichophyton, Microsporum ou Epidermophyton) ou leveduras do gênero Candida — pode causar uma dermatite infecciosa primária, como a tinea (ex.: tinea corporis, tinea cruris) ou a candidíase cutânea. Nesses quadros, a inflamação cutânea é uma resposta direta à invasão e proliferação do fungo na pele.
Em outros cenários, a relação é mais complexa: pacientes com dermatite atópica preexistente apresentam maior suscetibilidade a infecções fúngicas secundárias devido à barreira cutânea comprometida, disfunção imunológica local (particularmente deficiência na resposta Th17) e alterações no microbioma cutâneo. Além disso, infecções por Malassezia spp., embora comensais normais da flora cutânea, podem desencadear ou agravar quadros de dermatite seborreica e, em indivíduos atópicos, contribuir para exacerbações de dermatite atópica, especialmente em áreas sebáceas como face e couro cabeludo.
É fundamental ressaltar que nem toda dermatite tem origem fúngica — muitas formas (como dermatite de contato alérgica ou irritativa, dermatite atópica idiopática ou psoríase) são não infecciosas. O diagnóstico diferencial exige avaliação clínica cuidadosa, eventualmente complementada por exames como raspado cutâneo com KOH, cultura fúngica ou dermatoscopia. O tratamento inadequado com corticoides tópicos em uma infecção fúngica não reconhecida pode levar ao agravamento (tinea incognita), tornando o diagnóstico preciso ainda mais crucial.