A fototerapia intensa pulsada pode causar hiperpigmentação pós-inflamatória?
A fototerapia intensa pulsada (IPL, na sigla em inglês), popularmente conhecida no Brasil como “fotorejuvenescimento” ou, de forma menos técnica, como “clareamento com luz”, é um procedimento estético
A fototerapia intensa pulsada (IPL, na sigla em inglês), popularmente conhecida no Brasil como “fotorejuvenescimento” ou, de forma menos técnica, como “clareamento com luz”, é um procedimento estético amplamente utilizado para tratar manchas pigmentares, telangiectasias, vermelhidão difusa e sinais precoces de envelhecimento cutâneo. Uma das dúvidas mais frequentes entre pacientes é se esse tratamento pode causar hiperpigmentação pós-inflamatória — ou seja, o chamado “escurecimento da pele” após a sessão.
O risco de hiperpigmentação pós-IPL existe, mas não é inevitável nem comum em todos os perfis. Ele está fortemente associado a fatores individuais: peles mais escuras (Fitzpatrick IV a VI), exposição solar recente sem proteção adequada, uso de medicamentos fotossensibilizantes (como certos antibióticos ou anti-inflamatórios) e técnicas inadequadas — como energia excessiva ou número insuficiente de sessões com intervalos inadequados. Quando ocorre, essa pigmentação adicional geralmente é transitória e tende a regredir espontaneamente em semanas a meses, especialmente com o uso rigoroso de fotoproteção diária e, quando indicado, de despigmentantes tópicos sob orientação dermatológica.
É fundamental ressaltar que a prevenção é a estratégia mais eficaz. Antes de iniciar o tratamento, uma avaliação dermatológica detalhada deve incluir a classificação do tipo de pele, histórico de exposição solar, análise de lesões pré-existentes e revisão de medicações. A preparação pré-tratamento — com fotoproteção estrita por, no mínimo, quatro semanas — reduz significativamente o risco. Durante as sessões, equipamentos calibrados, operadores treinados e parâmetros individualizados (comprimento de onda, fluência, tamanho do spot) são essenciais para segurança e eficácia.
Em resumo, o fotorejuvenescimento com IPL não “causa” escurecimento como efeito direto ou esperado, mas pode desencadear uma resposta pigmentar compensatória em condições específicas de risco. Quando realizado com critério técnico, seguindo protocolos baseados em evidências e adaptados ao perfil individual, o procedimento apresenta excelente relação benefício-risco e continua sendo uma opção consolidada no manejo ambulatorial de alterações pigmentares benignas.