Como tratar a inflamação das vias respiratórias superiores?
A inflamação das vias respiratórias superiores (VRS) — que abrange a rinofaringe, laringe, traqueia e, ocasionalmente, os brônquios proximais — é, na grande maioria dos casos, de origem viral (ex.: rinovírus, vírus sincicial respiratório, influenza, adenovírus). O tratamento é predominantemente sintomático e de suporte, pois não há indicação para antibióticos na forma aguda e não complicada. Recomenda-se repouso adequado, hidratação oral abundante (água, chás não cafeinados, soluções reidratantes orais), uso moderado de analgésicos/antitérmicos como paracetamol ou ibuprofeno (respeitando as doses máximas diárias e contraindicações individuais) e medidas locais, como lavagem nasal com solução fisiológica isotônica (especialmente em crianças e lactentes) e umidificação ambiental.
Em casos específicos, pode haver indicação terapêutica direcionada: antivirais (ex.: oseltamivir) são reservados para infecções confirmadas por influenza em pacientes de alto risco ou com quadro grave; corticosteroides sistêmicos ou inalatórios podem ser considerados em laringotraqueobronquite (crupe) moderada a grave, sob orientação médica; e antibióticos só devem ser instituídos quando houver evidência clínica inequívoca de sobreinfecção bacteriana secundária — como amigdalite estreptocócica confirmada por teste rápido ou cultura, sinusite bacteriana aguda persistente (>10 dias sem melhora ou piora após melhora inicial) ou exacerbação bacteriana de bronquite crônica. O uso empírico de antibióticos não é recomendado e contribui significativamente para a resistência antimicrobiana.
É fundamental avaliar sinais de alarme que exigem atendimento médico imediato: dificuldade respiratória progressiva, estridor em repouso, cianose, alteração do estado de consciência, febre persistente acima de 39 °C por mais de 3 dias, desidratação (ausência de urina nas últimas 8–12 horas, olhos fundos, mucosas secas) ou piora clínica após 48–72 horas. Pacientes idosos, imunossuprimidos, portadores de doenças pulmonares crônicas ou cardíacas devem ser monitorados com maior rigor. A prevenção baseia-se em medidas não farmacológicas eficazes: higiene frequente das mãos, cobertura da boca ao tossir ou espirrar, evitar contato próximo com pessoas doentes e vacinação anual contra influenza e pneumococo conforme calendário nacional e recomendações individuais.