Como é tratada a displasia cervical grau I?
A displasia cervical grau I (também denominada neoplasia intraepitelial cervical grau I – NIC I ou lesão intraepitelial escamosa de baixo grau – LSIL) representa uma alteração celular leve no colo do útero, geralmente associada à infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV), especialmente pelos tipos de baixo risco (como HPV 6 e 11) ou, ocasionalmente, por tipos de alto risco em fase inicial. Trata-se de uma condição benigna, com alta taxa de regressão espontânea (cerca de 60–80% dos casos resolvem-se naturalmente em 12 a 24 meses), especialmente em mulheres jovens e imunocompetentes.
O manejo da NIC I é predominantemente conservador e baseado na observação cuidadosa, não no tratamento imediato. A conduta recomendada pela Sociedade Brasileira de Colposcopia e Patologia Cervical (SBCPC) e pelas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui repetição da citologia cervical (Papanicolaou) e/ou teste molecular para HPV em 12 meses. Em mulheres com citologia inicial ASC-US ou LSIL e teste positivo para HPV de alto risco, pode-se optar por colposcopia com biópsia dirigida para confirmar o diagnóstico histológico e excluir lesões de maior grau. Caso a colposcopia seja satisfatória e as biópsias confirmem NIC I isolada, sem envolvimento glandular ou sinais de progressão, o acompanhamento clínico contínuo é suficiente.
Intervenções terapêuticas — como conização por alça elétrica (LEEP), crioterapia ou lazer — **não são indicadas rotineiramente para NIC I**, pois apresentam riscos desnecessários (como complicações hemorrágicas, estenose cervical ou impacto na gestação futura, incluindo risco aumentado de parto prematuro). O tratamento só deve ser considerado em situações excepcionais: persistência documentada da NIC I por mais de dois anos, associação a lesões de alto grau em biópsias complementares, ou quando há dificuldade de seguimento adequado (ex.: acesso limitado a serviços de saúde ou risco elevado de não adesão ao controle).
É fundamental reforçar medidas preventivas: vacinação contra HPV (mesmo após o diagnóstico, pois protege contra outros tipos virais), uso consistente de preservativo, cessação do tabagismo (fator que reduz a capacidade de eliminação viral) e acompanhamento ginecológico regular. Mulheres com NIC I devem manter consultas anuais com avaliação citológica e, conforme orientação individualizada, testagem para HPV, garantindo detecção precoce de eventuais mudanças no padrão celular.