Como saber se tenho tendinite calcária do ombro?
Para determinar se um paciente tem tendinite calcária do manguito rotador (também conhecida como “ombro congelado” ou capsulite adesiva), é essencial realizar uma avaliação clínica minuciosa, pois os sintomas podem sobrepor-se a outras condições ortopédicas, como ruptura do manguito rotador, artrite glenoumeral ou neuropatia do nervo axilar. O diagnóstico baseia-se principalmente na história clínica e no exame físico, complementado, quando necessário, por exames de imagem.
O quadro típico inclui dor progressiva no ombro, especialmente à noite, com limitação significativa e simétrica dos movimentos ativos e passivos em todos os planos — flexão, abdução, rotação interna e externa. A fase mais característica é a “fase congelada”, em que há rigidez articular pronunciada, mesmo com manobra passiva realizada pelo examinador. Ao contrário da tendinopatia isolada, na capsulite adesiva não há ponto de dor localizado à palpação específica (como no tubérculo maior ou na inserção do supraespinal), mas sim uma sensação difusa de aperto e resistência articular.
Exames complementares são úteis para exclusão diagnóstica: radiografias simples do ombro ajudam a identificar calcificações, sinais de artrose ou alterações ósseas; ultrassonografia permite avaliar integridade do manguito rotador e detectar espessamento capsular ou sinovite; já a ressonância magnética é reservada para casos duvidosos, evidenciando edema capsular, espessamento da cápsula axilar e redução do volume do recessus axilar — achados patognomônicos da capsulite adesiva.
É fundamental lembrar que o diagnóstico precoce e a intervenção terapêutica adequada — com fisioterapia guiada, analgesia controlada e, em alguns casos, infiltração intra-articular com corticosteroide — melhoram significativamente o prognóstico. A evolução natural da doença pode durar de 12 a 24 meses, mas a reabilitação estruturada reduz o tempo de incapacidade funcional e previne sequelas como rigidez crônica ou atrofia muscular secundária.