Como prevenir e tratar o fígado gorduroso?
A esteatose hepática, ou fígado gorduroso, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de triglicerídeos nas células hepáticas (hepatócitos), com presença de gordura em mais de 5% do tecido hepático. É classificada como não alcoólica (NAFLD) quando não associada ao consumo excessivo de álcool, ou alcoólica (AFLD), quando relacionada ao abuso crônico de bebidas alcoólicas. A prevenção e o tratamento eficazes exigem uma abordagem multifatorial centrada no estilo de vida.
O pilar fundamental da prevenção é a adoção de hábitos saudáveis: manutenção de um peso corporal adequado por meio de dieta equilibrada — rica em vegetais, frutas, grãos integrais, proteínas magras e gorduras insaturadas — e redução significativa do consumo de açúcares adicionados, carboidratos refinados e alimentos ultraprocessados. A prática regular de atividade física aeróbica moderada (como caminhada rápida, ciclismo ou natação) por, no mínimo, 150 minutos semanais, associada a exercícios de força duas vezes por semana, contribui diretamente para a redução da gordura hepática e melhora da sensibilidade à insulina.
No tratamento, não existe medicação aprovada especificamente para a esteatose hepática não alcoólica em estágio inicial. Assim, as intervenções não farmacológicas permanecem como primeira linha: perda de peso gradual (5–10% do peso corporal total) demonstra redução significativa da esteatose e até regressão da inflamação e fibrose em casos de esteato-hepatite não alcoólica (NASH). Em pacientes com doença alcoólica, a abstinência total e definitiva do álcool é obrigatória e representa o único tratamento eficaz.
É essencial investigar e controlar com rigor fatores de risco associados, como obesidade abdominal, síndrome metabólica, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia e hipertensão arterial. Exames laboratoriais (transaminases, glicemia de jejum, perfil lipídico) e de imagem (ultrassonografia hepática, elastografia transiente ou ressonância magnética com quantificação de gordura) auxiliam no diagnóstico e acompanhamento. Pacientes com risco elevado de progressão — como aqueles com fibrose avançada identificada por biomarcadores séricos ou elastografia — devem ser encaminhados para avaliação especializada em hepatologia.