Por que ouvimos um zumbido no ouvido quando há ruído?
É comum que pessoas relatem perceber um zumbido ou ruído de fundo — como um zunido, chiado ou murmúrio — no ouvido sempre que há sons externos presentes, como conversas, música ou até o barulho do trâ
É comum que pessoas relatem perceber um zumbido ou ruído de fundo — como um zunido, chiado ou murmúrio — no ouvido sempre que há sons externos presentes, como conversas, música ou até o barulho do trânsito. Esse fenômeno não é um distúrbio isolado, mas frequentemente está associado a alterações na forma como o sistema auditivo processa estímulos sonoros, especialmente em contextos de sobrecarga sensorial ou disfunção da via auditiva central.
Uma das causas mais frequentes é a hiperacusia, uma condição caracterizada por uma sensibilidade anormalmente aumentada a sons de intensidade moderada. Nesses casos, o cérebro amplifica excessivamente os sinais auditivos recebidos, gerando a percepção de ruídos intrusivos — como o zumbido descrito — mesmo quando os níveis sonoros ambientais estão dentro da faixa considerada segura e confortável para a maioria das pessoas.
Outra explicação relevante envolve o fenômeno conhecido como “máscara auditiva incompleta”. Em situações de ruído de fundo, o sistema auditivo tenta filtrar informações irrelevantes para priorizar estímulos importantes (como vozes humanas). Quando esse mecanismo de filtragem está comprometido — seja por fadiga auditiva, lesão coclear subclínica, ou alterações na plasticidade neural — pode ocorrer uma ativação aberrante de neurônios auditivos, resultando em percepções sonoras espúrias, como o zumbido sincronizado com os sons externos.
Além disso, distúrbios do sistema nervoso central, como síndrome de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade generalizada ou enxaqueca auditiva, também podem contribuir para essa experiência. Nestes quadros, há modificações na neurotransmissão envolvendo noradrenalina e serotonina, que influenciam diretamente a modulação da resposta auditiva e a percepção de ruídos internos.
O diagnóstico exige avaliação multidimensional: audiometria tonal e vocal, testes de processamento auditivo central, avaliação vestibular quando indicado e, em alguns casos, neuroimagem funcional. O tratamento deve ser personalizado, podendo incluir reabilitação auditiva com terapia de habituação ao som, intervenções cognitivo-comportamentais, ajuste farmacológico em quadros associados e estratégias de manejo do estresse e da fadiga sensorial.