Quais medicamentos para reduzir o colesterol merecem recomendação? Como escolher entre o sevelamer e as estatinas?
Na prática clínica diária, o controle dos níveis séricos de colesterol, especialmente do colesterol LDL (“ruim”), é uma prioridade fundamental na prevenção primária e secundária das doenças cardiovasc
Na prática clínica diária, o controle dos níveis séricos de colesterol, especialmente do colesterol LDL (“ruim”), é uma prioridade fundamental na prevenção primária e secundária das doenças cardiovasculares. Entre as opções farmacológicas disponíveis, as estatinas continuam sendo a primeira linha terapêutica, com sólida evidência de redução de eventos cardiovasculares majoritários em múltiplos ensaios randomizados e metanálises.
O sevelamer — comercializado no Brasil sob a denominação de Sevelamer® — é, na verdade, um quelante de fosfato utilizado principalmente em pacientes com doença renal crônica em estágio avançado, não sendo indicado para tratamento dislipidêmico. É provável que haja uma confusão terminológica no título original: o medicamento referido como “Saisimei Haibomai Bu Pian” corresponde, na realidade, ao bempedoic acid (ácido bempedóico), aprovado pela ANVISA em 2023 sob a marca NEXLETOL®. Trata-se de um inibidor da ATP-citrato liase, enzima envolvida na síntese hepática de colesterol, com mecanismo complementar ao das estatinas e perfil de segurança distinto — particularmente vantajoso em pacientes com intolerância muscular às estatinas.
A escolha entre ácido bempedóico e uma estatina deve ser individualizada, considerando fatores como o risco cardiovascular global do paciente, os níveis basais de LDL-colesterol, a presença de comorbidades (como miopatia prévia, diabetes ou disfunção hepática), a adesão terapêutica esperada e as interações medicamentosas potenciais. Pacientes com alto ou muito alto risco cardiovascular — por exemplo, portadores de doença arterial coronariana estabelecida, acidente vascular cerebral isquêmico ou diabetes mellitus tipo 2 com lesão de órgão-alvo — geralmente requerem terapia combinada, podendo incluir estatina em dose moderada ou alta, acrescida de ácido bempedóico ou ezetimiba, conforme resposta lipídica e tolerabilidade.
É essencial reforçar que nenhum medicamento deve ser iniciado sem avaliação médica prévia, com dosagem basal de perfil lipídico, enzimas hepáticas e creatinaquinase, além de acompanhamento periódico para monitorar eficácia e segurança. A terapia farmacológica nunca substitui intervenções não farmacológicas fundamentais: dieta equilibrada (rica em fibras solúveis, ômega-3 e esteróis vegetais), atividade física regular, cessação do tabagismo e controle de fatores de risco associados, como hipertensão e obesidade abdominal.